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Radiações perigosas

Tese mostra correlação entre casos de morte por câncer e localização das antenas de telefonia celular

Por Ana Rita Araújo

Adilza Dode só usa celular em casos excepcionais: radiações estão associadas a vários tipos de neoplasia
Para evitar exposição prolongada às radiações eletromagnéticas, a engenheira Adilza Condessa Dode usa celular apenas em casos de extrema necessidade. A precaução decorre de estudos que desenvolve há cerca de uma década, com o intuito de descobrir os efeitos físicos, químicos e biológicos da radiofrequência nos seres vivos. Em tese defendida na UFMG, no final de março, Adilza Dode confirma a hipótese de que há correlação entre os casos de óbito por neoplasia e a localização de antenas de telefonia celular, em Belo Horizonte.

Por meio de geoprocessamento, a pesquisadora constata que a região Centro-Sul da capital mineira possui a maior concentração de antenas e a maior taxa de incidência acumulada de mortes por câncer. A menor taxa está na região do Barreiro, que também abriga o menor número de antenas instaladas.

A poluição causada pelas radiações eletromagnéticas é o maior problema ambiental do século 21”, afirma a engenheira, que, em sua tese, recomenda a adoção, pelo governo brasileiro, do chamado princípio da precaução, aprovado na Conferência Rio-92. Segundo tal premissa, enquanto não houver certeza científica da inexistência de riscos, o lançamento de novo produto ou tecnologia deve ser acompanhado de medidas capazes de prever e evitar possíveis danos à saúde e ao meio ambiente.

Componente da banca que avaliou a tese de Adilza Dode, o professor Álvaro Augusto Almeida de Salles, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), destacou que a pesquisa confirma resultados de estudos realizados na Alemanha e em Israel. “Com esse trabalho, Belo Horizonte coloca-se em uma importante posição na área”, comentou.

A pesquisa

Preocupada com a quase inexistência de dados sobre os efeitos de uma tecnologia que rapidamente se popularizou, Adilza Condessa Dode defendeu, em 2003, dissertação de mestrado orientada pela professora Mônica Maria Diniz Leão, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG, em que provou a existência de sobreposição de radiação em áreas onde há antenas instaladas, o que causa contaminação eletromagnética.

Para o doutorado, trabalhou com a hipótese de relação entre mortes por câncer e a proximidade residencial com antenas – estações radiobase (ERB) – de telefonia celular. Adilza Dode realizou pesquisa em bancos de dados preexistentes, cruzando informações sobre óbitos, em Belo Horizonte, de 1996 a 2006, com informações populacionais fornecidas pelo IBGE.

Entre os 22.543 casos de morte por câncer, no período de 1996 a 2006, a pesquisadora selecionou 4.924, cujos tipos – próstata, mama, pulmão, rins, fígado, por exemplo – são reconhecidos na literatura científica como relacionados à radiação eletromagnética. Para processar essas informações, ela contou com a co-orientação da professora Waleska Teixeira Caiaffa, uma das coordenadoras do Observatório de Saúde Urbana de Belo Horizonte e do Grupo de Pesquisas em Epidemiologia da Faculdade de Medicina da UFMG.

Na fase seguinte do estudo, Adilza Dode elaborou uma metodologia inédita, utilizando o geoprocessamento da cidade, para descobrir a que distância das antenas moravam as 4.924 pessoas que morreram no período. “A até 500 metros de distância das antenas, encontrei 81,37% dos casos de óbitos por neoplasias”, conta a pesquisadora, professora do Centro Universitário Izabela Hendrix e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

Ela comenta que, nos últimos anos, houve crescimento de casos de câncer de encéfalo no país, como atestam dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), e aumento no uso da telefonia celular. “Não posso afirmar que esta é a causa dos óbitos; mas qual é o fator novo nesse período? O fator ambiental que veio a público é a telefonia celular, não há outro”, analisa. Segundo ela, a literatura científica sugere a quem tem câncer e faz quimioterapia que evite exposição a campos eletromagnéticos.

Níveis seguros?

Há níveis seguros de radiação para a saúde humana? “Esse é exatamente o problema: até agora, ninguém sabe quais os limites de uso inócuos à saúde”, explica Adilza Dode, ao destacar que os padrões permitidos no Brasil são os mesmos adotados pela Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não Ionizantes (Icnirp), normatizados em legislação federal de maio de 2009. Para a pesquisadora, esses padrões são inadequados. “Eles foram redigidos com o olhar da tecnologia, da eficiência e da redução de custos, e não com base em estudos epidemiológicos”, assegura.

Segundo o professor Álvaro Augusto Almeida de Salles, da UFRGS, também não existem pesquisas epidemiológicas que demonstrem os efeitos das ondas emitidas por equipamentos de wireless, wi-fi e bluetooth, que irradiam em níveis mais baixos, mas contínuos. “Somos cobaias de tecnologias que ainda não se mostraram inócuas”, sentencia.

Adilza Dode informa que os campos eletromagnéticos interferem, também, em equipamentos biomédicos. “Por isso, é necessário desligar o celular ao entrar em hospitais, e não se deve, de forma alguma, instalar ERB em área hospitalar”, adverte, ao lembrar que mesmo as pessoas que não usam celular recebem radiação emitida, de forma contínua, pelas antenas.

Ela informa que países como Suíça, Itália, Rússia e China adotaram padrões bem mais baixos que os permitidos pela Icnirp. E no Brasil, o município de Porto Alegre editou lei que define níveis de emissões de radiações similares aos da Suíça.

Em sua tese, Adilza citou diversos estudos internacionais que procuram compreender os efeitos dos campos eletromagnéticos. Um deles, o projeto Reflex, financiado pela União Europeia, realizado em 2004 por 12 laboratórios especializados em sete países, afirma que a radiação eletromagnética emitida por telefones celulares pode afetar células humanas e causar danos ao DNA, ao alterar a função de certos genes, ativando-os ou desativando-os. Outro estudo, realizado em Naila (Alemanha), constatou a incidência três vezes maior de câncer em pessoas que viveram em um raio de até 400 metros das antenas de telefonia celular.

Em Netanya, em Israel, outro estudo mostrou o aumento de 4,15 vezes na incidência de câncer para os moradores que residiam dentro de um raio de até 350 metros das antenas de telefonia celular. Há, ainda, pesquisas que apontam riscos maiores para crianças, devido às especificidades de seu organismo. “A penetração das radiações eletromagnéticas no cérebro das crianças é muito maior que no dos adultos”, destaca Adilza Dode, que já se prepara para começar nova etapa de estudos. Seu objetivo agora é medir os níveis de exposição humana às radiações eletromagnéticas nas residências das pessoas diagnosticadas com câncer.

Recomendações

“Não somos contra a telefonia celular, mas queremos que o Brasil adote o princípio da precaução, até que novas descobertas científicas sejam reconhecidas como critério para estabelecer ou modificar padrões de exposição humana à radiação não ionizante”, diz a pesquisadora.

Em um capítulo de sua tese, ela lista uma série de recomendações. Entre elas, a de que o Brasil adote os limites já seguidos por países como a Suíça. Sugere, ainda, que o governo não permita transmissão de sinal de tecnologias sem fio para creches, escolas, casas de repouso, residências e hospitais; crie infraestrutura para medir e monitorar os campos eletromagnéticos provenientes das estações de telecomunicação e desestimule ou proíba o uso de celulares por crianças e pré-adolescentes.

Às indústrias, a tese recomenda a produção de telefones celulares com radiação no sentido oposto à cabeça do usuário, o investimento em pesquisa para descobrir limites seguros e a redução dos níveis de radiação emitidos pelas antenas. Aos usuários, Adilza sugere que não andem com celulares junto ao corpo; adotem a prática de envio de mensagens, evitando, ao máximo, sua proximidade ao ouvido; e afastem-se de outras pessoas ao recorrer ao aparelho. A autora aconselha, ainda, que cada prédio tenha área reservada para uso de celular, e que os moradores não aceitem a instalação de antenas. “Há uma crença segundo a qual o prédio onde se encontra uma antena de celular não recebe radiação. Isso foi desmentido por pesquisas recentes”, adverte a pesquisadora.

Tese: Mortalidade por neoplasias e telefonia celular em Belo Horizonte, Minas Gerais
Autora: Adilza Condessa Dode
Defesa: 26 de março de 2010,
junto ao Programa de Doutorado
em Saneamento, Meio Ambiente,
e Recursos Hídricos (Desa)
Orientadora: Mônica Maria Diniz Leão, professora do Departamento
de Engenharia Sanitária e Ambiental,
da Escola de Engenharia da UFMG
Co-orientadora: Waleska Teixeira Caiaffa, professora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade
de Medicina da UFMG
Leia mais no site
www.mreengenharia.com.br

Fonte: http://www.ufmg.br/boletim/bol1690/4.shtml

abril 26, 2010   3 comentários

Enchentes no Rio de Janeiro: razões!

O artigo abaixo explica as micro e macro razões das enchentes no estado do Rio de Janeiro. Um artigo brilhante, que mostra que os problemas ambientais custam muito caro para serem resolvidos, e em geral se acumulam com o tempo.

Micro e macro razões da tragédia no Rio de Janeiro

Por Fabiana Frayssinet, da IPS

Rio de Janeiro, 12/04/2010 – Os habitantes da favela de Gurarapes, no Rio de Janeiro, não sabem que o temporal que os fez fugir de suas casas tem uma origem global: o aquecimento do planeta. Mas em seu pequeno mundo deste bairro pobre e de casas precárias em um dos morros da cidade, identificam claramente a origem local da tragédia: o desvio artificial de um manancial que progressivamente causou a erosão da encosta onde viviam. Desde seu meio acadêmico, o oceanógrafo David Zee tem claras as duas razões. E as viveu na própria carne.

Pode explicá-lo com palavras de especialista, embora prefira usar outras mais comuns ao se referir ao isolamento forçado, de quase três dias, em seu apartamento na Barra da Tijuca, bairro que ficou inundado pelo temporal que começou a atingir a cidade no dia 5. O que antes era considerado extraordinário, começa a ser ordinário” disse à IPS este professor de Oceanografia Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estas catástrofes provocadas por uma inclemência de chuvas, que as autoridades estatais consideram a pior em quatro décadas, “vieram para ficar”, acrescentou.

Zee, que também coordena o curso de Mestrado em Meio Ambiente da Faculdade Veiga de Almeida, atribui a intensidade do temporal a um fenômeno vinculado a “mudanças climáticas globais, que têm efeitos locais”. Refere-se, entre outros, a uma atividade maior desde o final de 2009 do fenômeno climático El Niño/Oscilação do Sul, que se caracteriza por um aquecimento anormal na superfície tropical do Oceano Pacífico. “No Rio de Janeiro sofremos um fenômeno climático que tem uma causa global. A energia adicional de mais temperatura do mar se transforma em uma evaporação maior da água”, o que, por sua vez, produz mais chuvas, explicou.

Este fator global se agrava por outros de origem local, como a configuração geográfica da cidade do Rio de Janeiro, construída “entre a pedra dos morros e o mar”. O Rio de Janeiro “é como o marisco, espremido entre o mar e uma faixa costeira estreita”, disse Zee. “Como dizemos, quem sofre é o marisco”, acrescentou. Para piorar as coisas, existe a deterioração ambiental causada pela expansão demográfica da cidade. O concreto domina a cobertura florestal, que antes retinha a água nos morros e agora a deixa passar. E em nada ajuda a eterna deficiência dos sistemas de drenagem e o acúmulo de lixo nas encostas dos morros.

Quando entra uma frente fria na região, choca-se com essa grande “muralha” costeira e, não tendo como “escorrer”, fica estacionada sobre a região. Na Barra da Tijuca, bairro de classe média e alta, a inundação não aconteceu por acaso, mas em razão de um explosivo desenvolvimento imobiliário que não respeitou nem margens de rios nem de lagoas.

Longe dali, em Guararapes, um grupo de mulheres não precisa de conhecimentos especializados para explicar aos gritos suas próprias causas “locais” da tragédia. Seu desespero é compreensível. Após uma vida de sacrifícios, construindo tijolo por tijolo sua casa, de ali criar os filhos e enterrar seus país, agora têm de abandonar tudo porque o risco de desmoronamento aumenta. Asseguram que tudo começou quando foi desviado um manancial que era sua fonte natural de água para um projeto privado no alto do morro.

Desde então, uma infiltração foi drenando progressivamente o terreno, disse à IPS Jurema de Moraes. “Tivemos que abandonar nossas casas porque tudo vinha pra cima da gente. Não temos luz, não temos água, o perigo é grande e nem sabemos onde iremos viver”, reforçou Elizabethe da Silva, outra dos 500 moradores de Guararapes. O desvio do manancial, que antes fluía claro e abundante e satisfazia a sede de toda a comunidade, provocou uma catástrofe adicional.

O volume incomum das chuvas, que em um dia superou o previsto para todo o mês, derrubou a caixa de água comunitária, que caiu sobre uma casa e matou as três pequenas filhas de uma mulher que conseguiu sobreviver. “Já morreram três meninas, dormimos à intempérie, mas negam tudo porque este é um lugar turístico”, disse Elizabethe numa referência ao fato de pelo morro passar o bondinho que leva ao Cristo Redentor. “A natureza não pode ser culpada porque sabe o que faz”, disse, por sua vez, Waldemar Santana. “Mas o homem sim”, acrescentou.

Muito longe de Guararapes, em Niterói, outra tragédia também teve sua mistura de causas locais e globais. Ocorreu no Morro do Bumba, com a destruição completa de um bairro erguido sobre um antigo aterro sanitário e que, inclusive, recebeu melhorias de sucessivos governos. Com o vendaval, as casas rolaram encosta abaixo, em uma enxurrada de cimento, tijolos e corpos de seus moradores, que sepultou as casas construídas mais abaixo. As equipes de resgate se afundam nos restos emergidos do velho lixão, que fez aflorar restos de sacos plásticos e resíduos em meio a um cheiro nauseabundo. O secretário da Saúde do Estado do Rio de Janeiro, Sergio Cortés, reconheceu irritado que este era o lugar menos apropriado para um assentamento.

Em 2007, a Universidade Federal Fluminense (UFF) antecipou que em Niterói existiam 143 áreas propícias a deslizamentos. “Considerando a quantidade de assentamentos irregulares que temos em nossa cidade, a única solução é trasladar as famílias que estão em áreas de risco e promover a urbanização e regularização da propriedade da terra das demais”, disse à IPS Regina Beienestein, especialista em Urbanismo da UFF. A Universidade aponta, entre outras causas do desastre atual, o desmatamento dos morros, onde, em geral, pessoas pobres constroem suas casas. É uma contribuição brasileira ao aquecimento global e teve um efeito espiral sobre a própria tragédia.

Fonte: IPS/Envolverde

© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

abril 12, 2010   12 comentários

Ideias para um mundo melhor

Exemplo de campanha realizada pelo Shopping Campo Grande, em Campo Grande, MS, que efetivamente contribui para um mundo melhor:

- A alta gastronomia pode estar no seu jardim.
Quer aprender a cultivar e utilizar ervas e outros temperos? Então é só juntar R$50,00 em notas de compras realizadas no Shopping Campo Grande e participar das oficinas de Horta Caseira Orgânica e de Jardinagem Gastronômica (duração 50 minutos, oficinas em 3 horários diários).

Mas por que esta campanha é legal?

Porque ensina as pessoas que é muito fácil cultivas legumes e hortaliças em casa! Além de diminuir os custos gastos com o sacolão e supermercado, cultivar verduras, legumes e temperos em casa permite uma alimentação com produtos mais frescos, purificação do ar nos ambientes, contato das crianças e pessoas com a natureza e uma alimentação mais saudável!

abril 11, 2010   1 comentário

Copos plásticos: problema ambiental!

Arte e texto por Fabio Pellegrini

Diga não aos copos plásticos

Traga sua caneca e contribua com um mundo mais limpo.

Além do desperdício, os copos plásticos, quando utilizados com bebidas quentes, como café ou chá, levam um pouco da sua composição química para o seu corpo, e isto é um perigo, porque os produtos químicos que são ingeridos têm propriedades tóxicas, inclusive atuam como hormônios femininos, podendo desencadear a longo prazo, infertilidade masculina, diabetes, hiperatividade, câncer, entre outras doenças.

E mais: como o preço dos plásticos caiu muito no mercado da reciclagem, poucos catadores se interessam em coletá-los para comercializá-los. Então os copos plásticos acabam indo parar no lixão.

Se você não liga para sua saúde, pense nas gerações futuras: cada copo plástico utilizado demora cerca de 100 anos para se decompor na natureza.

Livre-se dos plásticos se quiser continuar vivo!

Consciência ambiental: você pode! você deve!

Lembre-se dos 3R’s: Reduzir o consumo/ Reutilizar / Reciclar

Diga não aos copos plásticos

Diga não aos copos plásticos - Por Fabio Pellegrini

março 29, 2010   4 comentários

Dia Mundial da Água

Em comemoração ao Dia Mundial da Água publico um texto resumido com reflexões muito importantes sobre o assunto.

Dia Mundial da Água - Uma breve reflexão sobre este valioso bem natural

Por Edgard José Laborde Gomes e Martim Assueros Gomes*

Comemora-se todo dia 22 de março o Dia Mundial da Água, criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1992. Aproveitamos aqui essa importante iniciativa para refletirmos sobre o domínio, uso e preservação deste valioso bem natural.

Considerando que a água é um recurso natural essencial à vida e de uso comum do povo; que sua natureza é difusa enquanto bem indivisível, ou seja, que não pode ser repartido; que ao mesmo tempo em que pertence a todos ninguém em específico o possui; e que sua titularidade diz respeito a pessoas indeterminadas da coletividade e do domínio público, conclui-se que sua gestão é de responsabilidade do Poder Público.

Muitas vezes a ilusão da abundância tem mascarado a realidade, mas o fato é que a água de boa qualidade para consumo humano está cada vez mais escassa, o que é motivo de grande preocupação, pois a capacidade de recarga das reservas hídricas são complexas e demoradas (Tabela 1/1).

Nunca é demais lembrar que de toda a água existente na Terra menos de 3% correspondem a água doce. E quando consideramos apenas o volume disponível para consumo em rios e lagos, este índice não chega a 0,2%, visto que a maior parte da água doce concentra-se nas calotas polares e geleiras ou em subsolos profundos.

O Brasil é um país privilegiado em termos hidrográficos, pois abriga a bacia Amazônica e o aquífero Guarani – os maiores do mundo em suas modalidades hídricas, além dos rios São Francisco e Paraná, unidades hidrográficas de importância inestimável. A propósito, esses três rios formam uma das maiores redes fluviais perenes do planeta.

Essa disponibilidade hídrica brasileira, entretanto, tão favorável em termos quantitativos e que corresponde a 11,6% da água doce disponível no mundo, não significa equilíbrio qualitativo. Os nossos grandes rios ficam distantes dos centros urbanos, ou seja, das grandes concentrações populacionais, o que torna a distribuição da água bastante irregular. A maior parte da nossa água doce – cerca de 70% – encontra-se na Região Amazônica, a menos habitada, enquanto os cerca de 30% restantes distribuem-se desigualmente pelo país, para atender a 93% da população. Ao Sudeste, por exemplo, a região brasileira com maior concentração populacional, cabem apenas 6% do total da água; e ao Nordeste, somente 3%.

Além disto, a qualidade das águas é comprometida pela poluição ambiental e pelo desmatamento – inclusive de matas ciliares, o que submete os rios à erosão e assoreamento e põe em risco, até, nascentes e outras unidades hídricas. Em seu trajeto, os cursos de água recebem diferentes tipos de poluentes, com os seguintes destaques: nos grandes centros urbanos, esgotos domésticos e industriais são neles despejados, além de servirem de depósito e escoadouro de resíduos sólidos; em algumas regiões brasileiras, principalmente na região Amazônica e Pantanal, são contaminados por mercúrio, metal pesado utilizado em garimpos clandestinos; e contaminados por agrotóxico e adubos químicos ao percorrerem plantações agrícolas, em especial monoculturas de larga escala. Em alguns casos, principalmente quanto aos dois últimos, também há risco de contaminação ocupacional.

O desperdício acompanha igualmente os diversos usos e consumos da água, desde os sistemas ineficientes de irrigação na agricultura e a não aplicação, pelas indústrias, da reutilização em seus processos produtivos, até as nossas pequenas atividades domésticas, como tomar banho, escovar os dentes e lavar o carro, pela falta de orientação e informação.

Ressalte-se, ainda, que a explosão populacional tem grande influência no desequilíbrio quantitativo e qualitativo dos recursos hídricos, pois sobrecarrega as atividades industriais e agrícolas. Mundialmente, o maior consumo de água cabe à agricultura – 67%, seguido pelo uso industrial (23%) e residencial (10%).

A água é um bem renovável, porém finito, e possui significado socioeconômico. A degradação causada pelo uso ineficiente o torna limitado e escasso, o que se verifica em muitos lugares, mesmo em regiões onde antes havia suficiência hídrica.

A seguir, alguns indicadores de consumo e sugestão de ações e hábitos que podem contribuir para o uso racional da água:

Gasto de água por tipo de consumo residencial no Brasil:

46% do consumo – chuveiro;
14% do consumo – cozinha e vaso sanitário;
12% do consumo – lavatório;
8% do consumo – máquina de lavar roupa;
6% do consumo – torneira de uso geral.

Ações que contribuem para o uso racional da água:

1. Em casa

Chuveiro: Um banho de 15 minutos exige 105 litros de água. Reduza o tempo para 10 minutos e o consumo cai para 70 litros.

Cozinha: Lavar louça com a torneira aberta acarreta um gasto de 112 litros. Uma boa maneira de economizar água é encher a cuba da pia de água, limpar os resíduos de comida dos utensílios com esponja e sabão e depois enxaguar com água limpa.

Vaso sanitário: Sozinho, o vaso sanitário pode representar 50% do gasto de água de uma residência. Verifique periodicamente se o sistema de descarga está regulado e sem vazamento.

Lavatório: Enquanto ensaboa as mãos feche a torneira, pois cada vez que você lava as mãos com a torneira aberta o tempo todo, são gastos aproximadamente 7 litros de água.

Máquina ou tanque de lavar roupa: Procure racionalizar o uso, juntando uma boa quantidade de roupa suja em cada lavagem. Além do que, a água do último enxágue das roupas pode ser reutilizada para ensaboar tapetes, tênis e cobertores. Também serve para, lavar carro, pisos e calçadas.

Torneira de uso geral: Verifique se não há vazamentos. O simples gotejamento de uma torneira consome 60 litros por dia ou 2m³ por mês.

2. Na indústria:

Invista no uso sustentável da água no processo produtivo, com a instalação de sistemas de reutilização, resfriamento e alimentação de caldeiras, além do reaproveitamento em rega de jardins e lavagem de pátios.

Discuta a questão da água com sua família, seus vizinhos, sua comunidade. Procure formar grupos de discussões na Escola, nas Associação de Moradores, nos espaços recreativos. Leve a discussão à Rádio Comunitária, à Câmara de Vereadores, ao Ministério Público, às Promotorias de Justiça.

É possível atingir grandes mudanças a partir dessas simples atitudes, que ainda que pequenas, têm importância fundamental na preservação dos recursos hídricos.

A escassez e o comprometimento da qualidade dos recursos hídricos exigem que adotemos com urgência hábitos de consumo adequados, eficientes, saudáveis. Talvez “uso consciente”, “uso racional” ou “uso inteligente” sejam expressões mais apropriadas, enquanto adjetivos que expressam melhor uma atitude humana vinculada à sua própria preservação.

Contudo, a água não é um elemento isolado na teia da vida. Nela, tudo está interligado. Precisamos, portanto, adotar novos hábitos de consumo e atitudes de interação e harmonia com o meio ambiente como um todo, considerando seus processos inter-relacionais, interdependes e sistêmicos.

Ao Poder Público cabe instituir políticas que possibilitem o perceber dessa interligação de elementos e favoreçam a gestão ambiental. E neste sentido, a Educação Ambiental surge como importante instrumento.

*Edgard José Laborde Gomes – Consultor Ambiental e Assessor Diretoria ABIEPSPós – Graduado em Direito Ambiental
edgard@labordeambiental.com.br

*Martim Assueros Gomes – Sociólogo – Pós-Graduado em Educação Ambiental
assuerosmartim@yahoo.com.br

Fonte: Envolverde/O autor

© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

março 25, 2010   1 comentário

Como fazer um mundo melhor?

Para fazer um mundo melhor, primeiro você precisa fazer a sua parte! Mas como começar?

Comece pensando em quais aspectos você acha que o mundo precisa melhorar:
- Mais segurança?
- Menos violência?
- Mais saúde?
- Educação de melhor qualidade?
- Menos problemas ambientais?

Depois que você tiver definido estes aspectos, pare e pense: como posso melhorar isso?

A primeira vista, vai parecer que nada disso é responsabilidade sua, que tudo é função do governo. Que é tudo culpa da prefeitura, ou dos políticos, da corrupção. Mas você está errado.

Um exemplo de como você está errado: você não tem lixeira na frente de casa, então deixa seu lixo na calçada, e por preguiça de ter que colocar o lixo para fora a noite, coloca ele a tarde, horas antes do caminhão passar. Chove, a água carrega o seu lixo, que entope o bueiro, a água não escoa, e dá enchente na sua rua. E então, a culpa é só da prefeitura? Ou é você que não fez sua parte?

Você pode ajudar com suas ações diárias a fazer um mundo melhor, exemplos:

- Como ajudar a melhorar a saúde? Garanta que na sua casa não tem recipientes com água parada, que podem facilitar a reprodução do mosquito da dengue. Não queime seu lixo, emitindo poluentes. Ligue sua casa na rede de esgoto, se passar rede na sua rua.

- Como ajudar a melhorar a educação? Leia mais, e incentive seus filhos a lerem. Informe-se. Assista programas interessantes na TV, como globo ecologia, globo rural.

- Como diminuir os problemas ambientais? Recicle, gere menos lixo. Mantenha o motor do seu carro regulado, principalmente se for a diesel.

Tudo o que você faz, gera um impacto! Nós colhemos o que plantamos, se queremos um mundo melhor, precisamos ser pessoas melhores.

Pessoas melhores fazem sempre o que está a seu alcance. Pessoas melhores não pensam só em si, mas pensam no coletivo. Pessoas melhores não ficam paradas, deixando tudo para os outros, elas fazem o que podem.

Pense nisso!!

março 10, 2010   6 comentários

Sobre vetores e saúde pública: as baratas

As baratas, cujo nome vem do latim blatta, que significa inseto que evita a luz, são importantes do ponto de vista sanitário, pois se adaptam a domicílios, hospitais e restaurantes, veiculando e disseminando microrganismos.

As baratas são quase inofensivas para o homem e têm destacado papel ecológico ao incorporar nutrientes no meio ambiente. Quando consomem matéria orgânica, seus dejetos servem como fonte de alimentação para organismos microscópicos que o transformam em húmus ou terra vegetal. Ou seja, as baratas contribuem para a ciclagem de nutrientes, manutenção da estrutura e fertilidade do solo, tratamento de resíduos, controle das populações de organismos e também são uma fonte direta de alimento para inúmeras espécies animais.

Estes insetos, entretanto, são muito importantes para a saúde pública, pois são agentes transmissores de doenças devido a microrganismos patogênicos que se aderem a superfície dos mesmos ou ingeridos, tais como as bactérias causadoras da furunculose, lepra, tuberculose, poliomielite e a diarréia. Estudos recentes identificaram a possível relação entre a exposição a baratas e as reações alérgicas, onde as alergias podem ser causadas pelas baratas ou serem agravadas pelas mesmas, sensibilidade detectada principalmente nas crianças.

As baratas domésticas são responsáveis pela transmissão de várias doenças, principalmente gastrointestinais, carregando vários agentes patogênicos através de seu corpo, patas e fezes, pelos locais por onde passam, por isso, são consideradas vetores mecânicos. Podem ainda transmitir doenças do trato respiratório e outras de contágio direto, pelo mesmo processo.

Além de atuar como vetores mecânicos (vírus, fungos, bactérias e protozoários) e biológicos (ser hospedeiro intermediário de vermes), as baratas podem causar reações alérgicas (contato com as fezes e exúvias). Sobre o aspecto econômico elas podem estragar alimentos (deixam odor repugnante), e roer/sujar roupas e livros. As baratas podem ser também uma praga agrícola de relativa importância (roer raízes e atacar produtos armazenados).

Métodos de Controle

Os métodos de controle ambiental das baratas baseiam-se inicialmente em medidas preventivas. As baratas, como as demais pragas urbanas, invadem as residências na busca por alimento, água e abrigo. A prevenção tem a finalidade de evitar ou dificultar o acesso a esses três fatores, para que as baratas se alimentem das iscas. Assim, o manejo preventivo do ambiente consiste em uma série de medidas preventivas, interferindo nas condições de abrigo e alimento das baratas. Dependendo da situação, somente estas medidas são suficientes para manter o local ausente de baratas.

Medidas para prevenção:

1. Feche sempre muito bem o lixo. Coloque diariamente em sacos plásticos muito bem fechados e lave pelo menos de quinze em quinze dias a lixeira. Deixe-a sempre fechada e seca.

2. Conserve os alimentos bem fechados em vasilhas com tampas ou na geladeira. Conservar armários e despensas fechados, sem resíduos de alimentos. Olhar cuidadosamente qualquer material antes de guardá-los (caixas, pacotes, etc).

3. Limpe quinzenalmente as caixas de gordura e esgoto. Deixe-as sempre bem fechadas.

4. Limpe semanalmente os ralos de cozinha, banheiro e área de serviço. Colocar tampas em ralos não sifonados.

5. Use silicone para vedar todos os tipos de frestas e fendas. As frestas de armários e portas internas e externas, principalmente aquelas perto da pia, devem ser vedadas com borracha. Manter bem calafetados as junções de revestimentos de paredes e pisos.

6. Mantenha sempre a pia limpa e seca, principalmente à noite, e limpe diariamente o fogão e embaixo da geladeira.

7. Não guarde alimentos em caixas de papelão ou de madeira, pois neste tipo de material elas gostam de depositar ovos.

8. Verifique sempre as possíveis entradas de baratas para a casa como: condutos elétricos, vizinhança infestada, canos de águas pluviais, interruptores de luz e telefone. Colocar telas, grelhas, ralos do tipo “abre-fecha”, sacos de areia ou outros artifícios que impeçam a entrada desses insetos através de ralos e encanamentos.

9. Ficar atento com os tetos rebaixados.

10. Remover e destruir ootecas (Ovos de baratas).

11. Excluir a prática de fazer pequenos lanches na mesa de trabalho, protegendo os teclados dos computadores das migalhas de pão, biscoitos, etc…

12. Praticar limpezas úmidas, tantas vezes por dia quanto necessário para manter desengordurados os móveis. Limpar cuidadosamente e regularmente os locais onde possam acumular poeira ou restos alimentares: fornos, armários, despensas, sob pias, etc.

março 9, 2010   3 comentários

Impacto mínimo do Ecoturismo

Vídeo sobre como promover mínimo impacto ambiental na visitação turística:

Video Impacto Mínimo do Ecoturismo

A entrevistada é Luiza Coelho, diretora de sustentabilidade dos passeios Rio da Prata e Estância Mimosa, em Bonito, MS.

março 1, 2010   Sem comentários

Frase de efeito sobre a natureza

“No final, nossa sociedade será definida, não pelo que criamos, mas pelo que nos recusamos a destruir”

John C. Sawhill, Presidente da The Nature Conservancy (1990-2000)

Creio que não há mais o que adicionar. E para emocionar mais ainda, assistam ao vídeo: Um olhar sobre a natureza brasileira.

fevereiro 28, 2010   7 comentários

Lixo eletrônico: novo problema ambiental

Já não basta o desmatamento, a poluição do ar, da água e do solo, a disposição inadequada dos resíduos sólidos domésticos e industriais, surge agora um novo problema ambiental: o lixo eletrônico.

Afinal, quais os problemas ambientais acarretados pelo lixo eletrônico? Leia no texto abaixo.

Lixo eletrônico: uma montanha de problemas

Por Stephen Leahy, da IPS

As montanhas de perigoso lixo eletrônico crescem cerca de 40 milhões de toneladas ao ano. No Brasil, China, Índia e África do Sul, o crescimento desses resíduos ficará entre 200% e 500% na próxima década, afirma um novo estudo. Esse aumento inclui apenas os restos de televisores, computadores e telefones celulares de uso interno, e não as toneladas de lixo eletrônico exportadas para esses países, a maioria de forma ilegal. As vendas de produtos eletrônicos no varejo explodiram nas economias emergentes, mas não há capacidade para recolher os restos, reciclar conteúdos tóxicos e convertê-los em materiais valiosos, afirma o estudo “Recycling – from E-waste to Resources” (Reciclando – de Lixo Eletrônico a Recursos), divulgado segunda-feira em Bali, na Indonésia.

A publicação coincide com uma reunião do Convênio da Basiléia sobre Controle de Movimentos Transfronteiriços dos Dejetos Perigosos e sua Eliminação, que começou segunda-feira. Os restos de telefones celulares serão, em 2020, sete vezes superiores aos de 2007 na China, e 18 vezes maior na Índia. A China já produz 2,3 milhões de toneladas, atrás dos Estados Unidos, com cerca de três milhões de toneladas. E apesar de proibir a importação deste lixo, a China continua sendo o principal destino destes resíduos procedentes dos países ricos.

“Este informe mostra a urgente necessidade de estabelecer processos obrigatórios, formais e ambiciosos para recolher e disponibilizar este lixo em instalações amplas e eficientes na China”, disse em Bali o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner. “Não é só a China que enfrenta este desafio. Brasil, Índia, México e outras nações também vivem riscos ambientais e sanitários se a reciclagem destes resíduos tóxicos ficar em mãos do setor informal”, acrescentou.

Não se trata da necessidade de desmontar manualmente os aparelhos eletrônicos, que de fato é uma tarefa essencial em muitos casos, diz Ruediger Kuehr, da Universidade das Nações Unidas e secretário-executivo da iniciativa Solving the E-waste Problem (StEP – Resolvendo o Problema do Lixo Eletrônico), um consórcio de organizações não governamentais, indústrias e governos. Mas o desmonte manual deve ser feito de maneira apropriada, em condições ambientais corretas, disse Kueher à IPS de seu escritório em Hamburgo (Alemanha). “A reciclagem eletrônica é muito complicada. Um telefone pode ter entre 40 e 60 elementos diferentes”, ressaltou.

O ouro é um desses elementos valiosos, e a reciclagem informal, praticada na China e na Índia, consegue extrair apenas 20% desse metal. No total, há centenas de milhões de dólares nos celulares que nunca são recuperados, disse Kuehr. As somas aumentam rapidamente para milhares de milhões de dólares de valiosos metais não recuperados quando são considerados os componentes das baterias.

Explorar e refinar novos metais, prata, ouro, paládio, cobre e outros, tem grande impacto ambiental, como uma grande quantidade de gases-estufa lançados na atmosfera, diz o informe. E alguns materiais estão se tornando escassos e, por isso, mais caros. O desenvolvimento de um sistema nacional sólido de reciclagem é complexo, e somente na base de financiamento e transferência de tecnologia do mundo rico não funcionará, segundo o documento. A falta de uma ampla rede de coleta destes resíduos, somada à competição do setor informal de baixo custo, impede o desenvolvimento de modernas unidades para esta atividade.

O informe, realizado em coautoria pela suíça Empa, Umicore e Universidade das Nações Unidas, todos membros do StEP, propõe facilitar a exportação de porções de produtos, como baterias ou paineis de circuitos de países pequenos para as nações da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), processadoras finais certificadas. As unidades de recuperação de materiais na Europa e América do Norte, que podem extrair quase todos os metais valiosos, são muito caras e precisam processar uma grande quantidade de lixo eletrônico para serem rentáveis.

Aí está a oportunidade de dar a volta na cadeia de fornecimento, com as nações em desenvolvimento desmontando seus produtos eletrônicos e enviando os materiais para a reciclagem final e recuperação no mundo rico, segundo Kuehr. “Recuperar elementos raros e valiosos, como o irídio, representa um difícil processo técnico. O mundo em desenvolvimento nunca terá recursos suficientes para construir suas próprias fábricas. É necessária uma solução global”, afirmou. Porém, há muitos impedimentos para semelhante solução, inclusive o fato de alguns setores, de vários países, estarem fazendo muito dinheiro graças à atual ineficiência, acrescentou Kuehr.

A classificação adequada do material (um computador que não funciona deve ser descartado ou pode se consertado facilmente e continuar em uso?) e um acordo internacional para estabelecer permissões são outros grandes obstáculos. Também existe a desconfiança sobre as declarações dos recicladores, a falta de certificação e de certeza de que os países que desmontam os produtos serão beneficiados ao enviá-los às nações da OCDE para sua recuperação final.

“Precisamos de um sistema global, mas não temos uma solução final sobre como chegar a isso”. Definitivamente, a sociedade mundial precisa avançar para a desmaterialização, onde o reuso domine completamente a reciclagem, que é intensiva em energia e recursos, mesmo quando não seja contaminante, segundo Kuher. As pessoas que compram computadores ou telefones celulares querem, na realidade, serviços de informática e comunicações, não produtos físicos. O caminho para o futuro é que as empresas tenham os produtos que ofereçam esses serviços e os atualizem uma e outra vez, fechando o círculo. “Isto tem mais sentido em muitos aspectos”, concluiu Kuehr.

Fonte: IPS/Envolverde

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fevereiro 24, 2010   3 comentários