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Culpas no lixo

Artigo escrito pela Profa. Dra. Sônia Corina Hess (UFMS)

Ela passou perto de mim carregando 4 sacos com latinhas de alumínio.

Era manhã de terça feira de carnaval, e seus pouco mais de um metro e meio de altura estavam quase que ocultos, sob os pesados sacos.

Me envergonhei, também, pela quantidade de garrafas plásticas e outros resíduos que vi pelas ruas. Sou humana, e o que os meus semelhantes fazem, repercute em mim. Certamente, pouca gente se importa com o destino dado aos resíduos gerados em suas atividades diárias.

Tenho uma vida confortável, carro, alimentos, moradia, todos os bens de que necessito para atender a minhas necessidades. O problema é que sei que, cada vez que me alimento, provavelmente, estou consumindo o produto de uma cadeia que começou no campo, onde trabalhadores pouco remunerados estiveram expostos a venenos e a precárias condições de vida.

Quando descarto embalagens, sei que a maioria vai ser transportada a algum aterro ou lixão, e me pergunto por que tem que ser assim.

Grande parte dos plásticos, cuja produção começa em poços de petróleo, passando por refinarias, indústrias petroquímicas, indústrias de transformação, produção de embalagens, indústrias de alimentos e outros produtos, distribuição e comercialização, têm como destino final quase certo o lixo, depois de terem sido úteis aos consumidores, efetivamente, por poucos minutos. Portanto, muita energia e materiais têm sido despendidos para produzir-se itens úteis por muito pouco tempo. Na melhor das hipóteses, alguns itens são reciclados, mas seu ciclo termina nos aterros.

O vidro, cuja produção começa com areia, em indústrias consumidoras de muita energia, praticamente não tem mercado para a reciclagem, sabendo-se que vão ser, mesmo, descartados nas ruas ou aterros.

Os metais ferrosos, que saem das jazidas e passam por indústrias siderúrgicas, consomem carvão vegetal ou mineral em seu processamento. No Brasil, grande parte do carvão utilizado em siderurgia provém de florestas nativas, incluindo a Amazônia, a Caatinga, o Cerrado e o Pantanal. Isto não é levado em consideração pelos consumidores, quando compram geladeiras, carros ou outros bens de consumo.

Os materiais orgânicos (provenientes de jardinagem, culinária, feiras, etc) podem ser transformados em adubo, mas geralmente são encaminhados a aterros ou lixões, constituindo mais de 60% dos resíduos das cidades brasileiras. Se convertêssemos os resíduos orgânicos em adubo e biogás (energia), também evitaríamos muitos danos causados pela produção, transporte e uso de adubos químicos, insumos importados pelo Brasil em grande quantidade.

Se muita gente se sentisse responsável pelo resultado de seu modo de vida, sobre seus semelhantes e o ambiente, teríamos uma revolução jamais vista nesta civilização. Cada item a ser adquirido passaria pelo crivo da consciência, verificando-se como foi produzido, no que resultou sua produção, e como se dará seu destino final.

É possível mudar, enxergar, lutar. É preciso ver-se a dor associada a cada bem de consumo, para que as escolhas mudem. Sem consciência não há mudança. Já houve muita gente, na história da humanidade, que cometeu terríveis erros, por não querer vê-los claramente. Temos que sair desta nova era da obscuridade e assumirmos nossas culpas. Não adianta fingirmos que não as temos, porque os miseráveis que vivem do lixo que produzimos estão por aí, na rua, na nossa frente!!!! As enchentes, os esgotões a céu aberto também mostram, claramente, a natureza infame do comportamento dos brasileiros que se pensam civilizados, neste início do século 21.

fevereiro 17, 2010   1 comentário

Hidrelétrica de Belo Monte: Impactos Ambientais

O texto abaixo discute os possíveis impactos ambientais da construção da Hidrelétrica de Belo Monte (terceira maior hidrelétrica do mundo) no Pará.

Vale a pena ler e se inteirar da questão sobre todos os seus aspectos, que são muito bem esclarecidos pelos autores. A informação de qualidade é essencial para a tomada de decisões seguras.

Será que o Brasil precisa de Belo Monte?

CI-Brasil (Ong Conservation International – Brazil) divulga posicionamento sobre hidrelétrica; a ONG trabalha com índios Kayapó há mais de 18 anos.

Contexto: O projeto ressurge como uma obra estratégica, apresentada por meio de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de mais de 20 mil páginas, como a possível terceira maior hidrelétrica do mundo, perdendo apenas para a usina Três Gargantas (China) e para Itaipu (Brasil-Paraguai).
A hidrelétrica de Belo Monte propõe o barramento do rio Xingu com a construção de dois canais que desviarão o leito original do rio, com escavações da ordem de grandeza comparáveis ao canal do Panamá (200 milhões m3) e área de alagamento de 516 km2, o equivalente a um terço da cidade de São Paulo.

Questão energética: A UHE de Belo Monte vai operar muito aquém dos 11.223 MW aclamados pelos dados oficiais, devendo gerar em média apenas 4.428 MW, devido ao longo período de estiagem do rio Xingu, segundo Francisco Hernandes, engenheiro elétrico e um dos coordenadores do Painel dos Especialistas, que examina a viabilidade da usina.   Em adição, devido à ineficiência energética, Belo Monte não pode estar dissociada da ideia de futuros barramentos no Xingu. Belo Monte produzirá energia a quase 5.000 km distantes dos centros consumidores, com consideráveis perdas decorrentes na transmissão da energia.

Esse modelo ultrapassado de gestão e distribuição de energia a longas distâncias indica que o governo federal deveria planejar sua matriz energética de forma mais diversificada, melhor distribuindo os impactos e as oportunidades socioeconômicas (ex.: pequenas usinas hidrelétricas, energia de biomassa, eólica e solar) ao invés de sempre optar por grandes obras hidrelétricas que afetam profundamente determinados territórios ambientais e culturais, sendo que as populações locais, além de não incluídas nos projetos de desenvolvimento que se seguem, perdem as referências de sobrevivência.

Questão ambiental: A região pleiteada pela obra apresenta incrível biodiversidade de fauna e flora. No caso dos animais, o EIA aponta para 174 espécies de peixes, 387 espécies de répteis, 440 espécies de aves e 259 espécies de mamíferos, algumas espécies endêmicas (aquelas que só ocorrem na região), e outras ameaçadas de extinção. O grupo de ictiólogos do Painel dos Especialistas tem alertado para o caráter irreversível dos impactos sobre a fauna aquática (peixes e quelônios) no trecho de vazão reduzida (TVR) do rio Xingu, que afeta mais de 100 km de rio, demonstrando a inviabilidade do empreendimento do ponto de vista ambiental. Segundo os pesquisadores, a bacia do Xingu apresenta significante riqueza de biodiversidade de peixes, com cerca de quatro vezes o total de espécies encontradas em toda a Europa. Essa biodiversidade é devida inclusive às barreiras geográficas das corredeiras e pedrais da Volta Grande do Xingu, no município de Altamira (PA), que isolam em duas regiões o ambiente aquático da bacia. O sistema de eclusa poderia romper esse isolamento, causando a perda irreversível de centenas de espécies.

Outro ponto conflituoso é que o EIA apresenta modelagens do processo de desmatamento passado, não projetando cenários futuros, com e sem barramento, inclusive desconsiderando os fluxos migratórios, que estão previstos nos componentes econômicos do projeto, como sendo da ordem de cerca de cem mil pessoas, entre empregos diretos e indiretos.

Questão cultural e impactos da obra sobre as populações indígenas: O projeto tem desconsiderado o fato de o rio Xingu (PA) ser o ‘mais indígena’ dos rios brasileiros, com uma população de 13 mil índios e 24 grupos étnicos vivendo ao longo de sua bacia. O barramento do Xingu representa a condenação dos seus povos e das culturas milenares que lá sempre residiram.

O projeto, aprovado para licitação, embora afirme que as principais obras ficarão fora dos limites das Terras Indígenas, desconsidera e/ou subestima os reais impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais do empreendimento. Além disso, é esperado que a obra intensifique o desmatamento e incite a ocupação desordenada do território, incentivada pela chegada de migrantes em toda a bacia e que, de alguma forma, trarão impactos sobre as populações indígenas.

Como já exposto, o Trecho de Vazão Reduzida afetará mais de 100 km de rio e isso acarretará em drástica redução da oferta de água.  Os impactos causados na Volta Grande do Xingu, que banha diversas comunidades ribeirinhas e duas Terras Indígenas – Juruna do Paquiçamba e Arara da Volta Grande, ambas no Pará -, serão diretamente afetadas pela obra, além de grupos Juruna, Arara, Xypaia, Kuruaya e Kayapó, que tradicionalmente habitam as margens desse trecho de rio. Duas Terras Indígenas, Parakanã e Arara, não foram sequer demarcadas pela Funai. A presença de índios isolados na região, povos ainda não contatados, foram timidamente mencionados no parecer técnico da Funai, como um apêndice.

A noção de afetação pelas usinas hidrelétricas considera apenas áreas inundadas como “diretamente afetadas” e, por conseguinte, passíveis de compensação.   Todas as principais obras ficarão no limite das Terras Indígenas que, embora sejam consideradas como “indiretamente afetadas”, ficarão igualmente sujeitas aos impactos físicos, sociais e culturais devido à proximidade do canteiro de obras, afluxo populacional, dentre outros. O EIA desconsidera ou subestima os riscos de insegurança alimentar (escassez de pescado), insegurança hídrica (diminuição da qualidade da água com prováveis problemas para o deslocamento de barcos e canoas), saúde pública (aumento na incidência de diversas epidemias, como malária, leishmaniose e outras) e a intensificação do desmatamento, com a chegada de novos migrantes, que afetarão toda a bacia.

Polêmicas: O processo de licenciamento da UHE Belo Monte tem sido cercado por polêmicas, incluindo ausência de estudos adequados para avaliar a viabilidade ambiental da obra, seu elevado custo, a incerteza dos reais impactos sobre a biodiversidade e as populações locais, a ociosidade da usina durante o período de estiagem do Xingu, e a falta de informação e de participação efetiva das populações afetadas nas audiências públicas.

No final de dezembro de 2009, os técnicos do Ibama emitiram parecer contrário à construção da usina (Parecer 114/09, não publicado no site oficial), onde afirmam que o EIA não conseguiu ser conclusivo sobre os impactos da obra: “o estudo sobre o hidrograma de consenso não apresenta informações que concluam acerca da manutenção da biodiversidade, a navegabilidade que garante a segurança alimentar e hídrica das populações do trecho de vazão reduzida (TVR) e os impactos decorrentes dos fluxos migratórios populacionais, que não foram dimensionados a contento”. A incerteza sobre o nível de estresse causado pela alternância de vazões não permite inferir com segurança sobre a manutenção dos estoques de pescado e das populações humanas que desses dependem, a médio e longo prazos. Ainda segundo o parecer técnico, para “a vazão de cheia de 4.000m3/s, a reprodução de alguns grupos de peixes é apresentada no estudo como inviável”, ou seja, o grau de incerteza denota um prognóstico extremamente frágil.

No início deste ano (01/02/10), o governo federal anunciou a liberação da licença prévia para a construção da UHE Belo Monte sob 40 condicionantes, nem todas esclarecidas. A licença foi liberada num tempo recorde e o leilão, que deveria acontecer em abril, foi adiantado para o início de março deste ano. Como a única voz dissonante, o ministro do Meio Ambiente enfatizou a concessão de R$1,5 bilhão como medidas mitigatórias ao projeto, um valor relativamente pequeno em relação ao custo estimado da obra (R$30 bilhões) e incerto para os impactos que ainda se desconhece.
Vale lembrar que uma bacia e seus povos repletos de história e diversidade social, ambiental e cultural nunca terão preço capaz de compensar tamanha riqueza.

Fonte: Resumido de Envolverde/SOS Mata Atlântica
© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

fevereiro 14, 2010   119 comentários

Depoimento de Oscar Niemeyer aos jovens: é preciso de informar!

Na manhã de quarta-feira (10/02), logo após a solenidade de posse dos novos conselheiros integrantes das quatro câmaras especializadas do CREA Regional de Mato grosso do Sul, foi inaugurada uma placa com uma mensagem que o arquiteto Oscar Niemeyer dedicou aos jovens estudantes e profissionais das áreas tecnológicas.

O depoimento foi especialmente concedido por Niemeyer durante uma visita do presidente do Crea-MS, engenheiro Jary de Carvalho e Castro a seu escritório em Copacabana, no Rio de Janeiro em outubro de 2009.

Veja a transcrição do depoimento:

“Me interesso sempre em falar com a juventude, principalmente com os que estão estudando arquitetura, que é a minha profissão. Eu recomendo aos jovens que o importante hoje é ler, ler o que for possível. Geralmente, o jovem entra para a escola superior e o assunto do País é esquecido. Ele dedica-se apenas ao que trata da sua profissão. Isso faz dele um especialista. Um médico só fala em medicina, engenheiro só fala em engenharia e o jovem fica perdido nesse mundo tão difícil, cheio de problemas, do qual ele não pode se informar.
Eu tenho uma revista de arquitetura – Nosso caminho – e nessa revista a arquitetura é um pretexto. Ela é dedicada a levar aos jovens ensinamentos sobre os problemas da vida, do mundo, aos quais ele tem que se deter. De modo o que eu gostaria de lembrar a vocês é isso: a necessidade de se informar”.

Arquiteto Oscar Niemeyer

Com informações da Assessoria de imprensa do CREA-MS

fevereiro 13, 2010   1 comentário

Poluição da água e do solo e Saneamento Básico

O que que o saneamento básico tem a ver com a poluição da água e do solo?

O saneamento básico, que são os serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos, coleta da drenagem pluvial, e coleta de lixo, é fundamental para a saúde pública.

Ele está diretamente associado aos problemas de poluição e/ou contaminação dos recursos hídricos e do solo, pois a deficiência de saneamento básico gera a disposição inadequada de esgotos, contaminando e poluindo os rios e córregos,e favorecendo a proliferação de vetores de doenças (por exemplo, nos lixões).

Conseqüentemente, se temos rios e córregos poluídos gastamos mais dinheiro para tratar a água para o abastecimento público. Ou seja, investimentos em saneamento básico economizam dinheiro gasto em hospitais, em tratamento de água, e aumentam a saúde e qualidade de vida da população.

fevereiro 11, 2010   4 comentários

Municípios de Mato Grosso do Sul têm problemas ambientais

Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que em Mato Grosso do Sul 88,4% dos municípios, ou seja, 69 de 78, registraram ocorrências que causaram impactos ao meio ambiente nos últimos 24 meses.

Esta proporção fica próxima da média nacional de municípios com problemas ambientais, que é de 90%.

Segundo a pesquisa , o desmatamento está presente em 44 municípios e as queimadas, em 42 dos 78 municípios do Estado de Mato Grosso do Sul. Contudo a pesquisa também demonstra que os municípios do estado se destacam pela destinação de verbas para o setor ambiental.

O assoreamento de cursos de água é o que mais atinge os municípios. Depois do assoreamento vêm o desmatamento, as queimadas, a poluição de cursos de água e a poluição do ar.

Com informações de Campo Grande News

fevereiro 10, 2010   Sem comentários

Alerta! Efeitos dos Impactos Ambientais!

“No mundo todo, os efeitos dos impactos ambientais vêm sendo percebidos. O receio é que o desastre ambiental não se trate apenas de uma remota possibilidade. Relatórios recentes de institutos de pesquisa demonstram que, caso nada seja feito, o clima será alterado em proporções drásticas, prejudicando especialmente aqueles setores da economia que dependem da natureza, como é o caso da agricultura. O produtor rural será diretamente afetado. Ele tem que ser, portanto, o primeiro a tomar providências, pois o seu ramo de atividade depende da adoção de práticas que conservem o meio ambiente.”  (Fonte: F. Scardua – Responsabilidade Ambiental na produção agrícola)

fevereiro 8, 2010   1 comentário

Informação: o caminho para um mundo melhor!

Entrevista  com Jerome Kagan publicada na Revista Veja de 03/02/10

Veja perguntou: O nível educacional e a classe social dos pais têm muita influência sobre o futuro dos filhos?

Jerome respondeu: Tem mais influência que a genética. O melhor indicador de doença mental, de qualquer doença mental, é a classe social, e não os genes. Por hipótese, suponhamos que há um grupo de 1.000 bebês lá fora. Você e eu vamos pesquisá-los para determinar quais bebês poderão estar sofrendo de depressão aos 30 anos de idade. Você só pode examinar os genes dos bebês. Eu só posso examinar a eduação e o nível de renda dos pais dos bebês. Meu resultado será mais exato do que o seu. Os que ocupam o topo da pirâmide social, em termos de educação, trabalho e renda, têm menos doença mental, vivem sete anos a mais e seus filhos são mais saudáveis. Em resumo, são pessoas mais felizes.

O que podemos concluir desta pergunta e desta resposta:

A informação de qualidade e a educação são os caminhos para a construção de uma sociedade mais feliz, mais produtiva, e com menos problemas, o que irá levar também a menos problemas ambientais.

fevereiro 8, 2010   Sem comentários

Soluções para o lixo urbano

Soluções para o lixo urbano:

1 – Diminuir a geração de lixo;

2 – Aumentar a coleta seletiva, através de pontos de entrega voluntária, campanhas de conscientização, coleta porta a porta;

3 –  Incentivos fiscais para empresas que comercializarem produtos com menos embalagens, e/ou embalagens 100% recicláveis;

4 – Pontos de entrega voluntários para coleta do lixo eletrônico, lixo tóxico e lixo perigoso;

- As soluções tem que ser desenvolvidas e aplicadas de acordo com o porte do município, buscando otimização do gerenciamento.

“Gerenciar resíduos não se limita a tratar e dispor o lixo gerado. O enfrentamento do problema começa na concepção dos produtos que serão descartados mais tarde e na revisão da cultura da fartura e do desperdício. Enfrentar o problema exige a responsabilização dos diferentes atores, desde a indústria produtora de bens, até o consumidor final”. Revista Bio 10-12/2009

Ou seja, todos temos um papel nesta história, os consumidores, os produtores, o governo. E cabe a cada um de nós fazer nossa parte na construção de um mundo mais limpo!

Afinal, o lixo urbano acarreta em uma série de problemas ambientais:

- entupimento de bueiros, que geram enchentes e alagamentos;

- contaminação do solo e lençol freático devido a disposição final inadequada;

- transmissão de doenças e proliferação de vetores;

- desperdício de recursos naturais.

fevereiro 7, 2010   12 comentários

Problemas ambientais: Hidrelétrica de Belo Monte

O artigo abaixo fala sobre os problemas ambientais que serão derivados da construção da Hidrelétrica de Belo Monte no Pará. Dá o que pensar! Muito dinheiro será gasto nesta construção, e é óbvio que existirão impactos ambientais negativos e outros positivos.

É impossível que o processo de licenciamento ambiental desta obra tenha realmente previsto todos os cenários que podem ocorrer, mas nem todos os estudos do mundo poderiam prever isso. A questão central é o que queremos, se queremos mais conforto, mais desenvolvimento, mais dinheiro sujo desviado de obras, então vamos construir mais hidrelétricas!

Mas se quiséssemos menos impactos ambientais, todo este dinheiro de Belo Monte poderia ser investido em eficiência energética e matrizes de energia renovável, como parques éolicos!

Belo Monte: solução burra para a geração de energia no Brasil

“Belo Monte é uma resposta medíocre para o desafio de gerar energia para o país”, diz Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace no Brasil.

Do ponto de vista ambiental, ela repete erros que o país cometeu no passado, alagando áreas de floresta relevantes para construir mega hidrelétricas. Itaipu afogou o Parque Nacional de Sete Quedas na década de 1970. Quarenta anos depois, Belo Monte vai provocar um desmatamento de 50 mil hectares em zona de mata, ainda razoavelmente conservada, em pleno coração da Amazônia.

O processo de liberação da obra mostra também como o licenciamento ambiental no Brasil andou para trás. Danem-se as necessidades técnicas e científicas do pessoal do Ibama que analisa os impactos de grandes obras no Brasil. Os recentes governos brasileiros fizeram muito para desacreditar o trabalho que envolve o licenciamento de grandes obras. Lula levou esse comportamento ao extremo e o transformou em refém dos seus desejos.

É Lula, e não a lei, quem agora define seus prazos. Qualquer resistência é recebida pelo presidente e seus ministros com uma ironia burra acerca da complexidade do trabalho dos técnicos. O argumento central é que a conservação da natureza atravanca o desenvolvimento. As 40 condicionantes impostas pelo Ibama para mitigar os efeitos ambientais da obra apenas aliviam os imensos impactos sociais e ambientais da obra. E seriam dispensáveis se o governo recobrasse os sentidos e percebesse que Belo Monte é uma obra desnecessária.

“Belo Monte também é símbolo de uma visão de desenvolvimento defasada”, prossegue Furtado. “Ela não agrega novas tecnologias, não embica o país para o futuro. É uma obra de cimento e aço, típica do século que passou. Além de antiga, Belo Monte, ela vai operar com um alto nível de ineficiência.” Longe dos principais mercados consumidores do país, a energia gerada em Belo Monte terá de ser enviada às regiões Sul e Sudeste do Brasil, produzindo enormes perdas.

Um estudo do Greenpeace realizado em 2007 com a assistência do Grupo de Energia da Universidade Politécnica da USP (GEPEA – USP) mostra que é possível atender à demanda de energia do país até 2050 com investimentos em geração que passem ao largo de tecnologias de grande impacto ambiental, como grandes hidrelétricas, usinas nucleares e termelétricas movidas a carvão ou óleo diesel. A ausência desses dinossauros energéticos seria suprida com a utilização de fontes de geração de energia renováveis modernas como eólica, biomassa e solar.

O cenário desse estudo aponta para uma produção de energia em 2050 em que a geração hidrelétrica responderia por 38% das necessidades do país. O restante viria de biomassa em suas diferentes formas de cogeração (cascas e bagaço, óleos vegetais e biogás), com 26% da geração total. A energia eólica entraria com 20% da geração e os painéis fotovoltaicos contribuiriam com 4%.

A matriz seria complementada com 12% de geração termelétrica a gás natural – que apesar de mais poluente do que qualquer geração renovável, ainda representa uma redução de emissão em relação às termelétricas a carvão e óleo combustível, completamente eliminadas da matriz nesse estudo do Greenpeace, juntamente com os reatores nucleares.

Além de claros benefícios ambientais, o estudo conclui uma matriz com esse perfil, mais moderno e menos dependente de apenas um tipo de geração de energia, também traria benefícios econômicos para o país, uma vez que seu custo completo, de R$ 537 bilhões, é R$ 117 bilhões aos cálculos do custo da matriz de referência usada pelo governo em seu Plano Nacional de Energia (PNE) para 2030.

No lugar de uma Belo Monte na Amazônia, o Brasil deveria por exemplo investir na criação de uma Belo Monte de vento no Nordeste, que gerasse empregos mais condizentes com o século 21 e desenvolvimento industrial de baixo carbono e alta qualidade.

“A usina de Belo Monte é uma prova, sobretudo, de como o Brasil enxerga o futuro pelo espelho retrovisor”, diz Furtado. “Ao invés de pensar a Amazônia como uma região para a expansão de mega usinas hidrelétricas, o governo deveria planejar o seu desenvolvimento de olho na floresta como um ativo de interesse mundial, que tem influência fundamental para o futuro da regulação do clima no planeta e que presta óbvios serviços ambientais à agricultura nacional.”

Fonte: Envolverde/Greenpeace

© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

fevereiro 6, 2010   12 comentários

Resíduos radioativos também são um problema

Os resíduos provenientes das operações nucleares são extremamente contaminantes, na maioria das vezes não podem ser tratados, exigindo que sejam dispostos na natureza. Se essa disposição final não for realizada corretamente, corre-se um risco grande de contaminar todo o ambiente ao redor. Uma padronização nesta disposição, adotada por todos os países que produzem resíduos radioativos, pode minimizar esses problemas.

Especialistas alertam para os perigos do lixo nuclear

Por Daniela Traldi, da Rádio ONU em Nova York.

Aiea diz que falta aproximação internacional mais uniforme para resolver a questão dos resíduos radioativos; norma global de segurança tem sido desenvolvida nos últimos três anos.

O lixo nuclear e os métodos de disposição de resíduos é um dos problemas mais urgentes do setor.

Segundo o chefe do escritório de Resíduos e Segurança Ambiental da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, Didier Louvat, soluções técnicas existem e são seguras mas ainda falta uma aproximação internacional mais uniforme para resolver a questão.

Resíduos

O assunto foi debatido durante conferência internacional na cidade do Cabo, na África do Sul, que reúne até sexta-feira, 18 de dezembro, especialistas em segurança nuclear e radiação de várias regiões do mundo.

O representante da Aiea fala em benefícios para uma abordagem mais homogênea em relação aos resíduos nucleares, já que dezenas de países avançam para o licenciamento de instalações de armazenamento geológico.

Um padrão internacional de medidas de segurança para o lixo radioativo tem sido desenvolvido nos últimos três anos, e sua aprovação e adoção está prevista ainda para o final de 2009.

Norma

A norma abrange a disposição de lixo nuclear perto de superfícies de qualquer tipo, incluindo as consideradas de baixo nível radioativo e para o processamento de mineração e minerais.

A medida também trata dos resíduos de nível intermediário e alto, colocados em profundidade a centenas de metros abaixo do solo. A Aiea afirma que vai preparar um guia adicional de segurança sobre o assunto.

Para ouvir esta notícia clique em: http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/real/2009/0912171i.rm ou acesse:http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/174050.html

(Envolverde/Rádio ONU)

janeiro 29, 2010   Sem comentários