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Dia Mundial da Água

Em comemoração ao Dia Mundial da Água publico um texto resumido com reflexões muito importantes sobre o assunto.

Dia Mundial da Água - Uma breve reflexão sobre este valioso bem natural

Por Edgard José Laborde Gomes e Martim Assueros Gomes*

Comemora-se todo dia 22 de março o Dia Mundial da Água, criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1992. Aproveitamos aqui essa importante iniciativa para refletirmos sobre o domínio, uso e preservação deste valioso bem natural.

Considerando que a água é um recurso natural essencial à vida e de uso comum do povo; que sua natureza é difusa enquanto bem indivisível, ou seja, que não pode ser repartido; que ao mesmo tempo em que pertence a todos ninguém em específico o possui; e que sua titularidade diz respeito a pessoas indeterminadas da coletividade e do domínio público, conclui-se que sua gestão é de responsabilidade do Poder Público.

Muitas vezes a ilusão da abundância tem mascarado a realidade, mas o fato é que a água de boa qualidade para consumo humano está cada vez mais escassa, o que é motivo de grande preocupação, pois a capacidade de recarga das reservas hídricas são complexas e demoradas (Tabela 1/1).

Nunca é demais lembrar que de toda a água existente na Terra menos de 3% correspondem a água doce. E quando consideramos apenas o volume disponível para consumo em rios e lagos, este índice não chega a 0,2%, visto que a maior parte da água doce concentra-se nas calotas polares e geleiras ou em subsolos profundos.

O Brasil é um país privilegiado em termos hidrográficos, pois abriga a bacia Amazônica e o aquífero Guarani – os maiores do mundo em suas modalidades hídricas, além dos rios São Francisco e Paraná, unidades hidrográficas de importância inestimável. A propósito, esses três rios formam uma das maiores redes fluviais perenes do planeta.

Essa disponibilidade hídrica brasileira, entretanto, tão favorável em termos quantitativos e que corresponde a 11,6% da água doce disponível no mundo, não significa equilíbrio qualitativo. Os nossos grandes rios ficam distantes dos centros urbanos, ou seja, das grandes concentrações populacionais, o que torna a distribuição da água bastante irregular. A maior parte da nossa água doce – cerca de 70% – encontra-se na Região Amazônica, a menos habitada, enquanto os cerca de 30% restantes distribuem-se desigualmente pelo país, para atender a 93% da população. Ao Sudeste, por exemplo, a região brasileira com maior concentração populacional, cabem apenas 6% do total da água; e ao Nordeste, somente 3%.

Além disto, a qualidade das águas é comprometida pela poluição ambiental e pelo desmatamento – inclusive de matas ciliares, o que submete os rios à erosão e assoreamento e põe em risco, até, nascentes e outras unidades hídricas. Em seu trajeto, os cursos de água recebem diferentes tipos de poluentes, com os seguintes destaques: nos grandes centros urbanos, esgotos domésticos e industriais são neles despejados, além de servirem de depósito e escoadouro de resíduos sólidos; em algumas regiões brasileiras, principalmente na região Amazônica e Pantanal, são contaminados por mercúrio, metal pesado utilizado em garimpos clandestinos; e contaminados por agrotóxico e adubos químicos ao percorrerem plantações agrícolas, em especial monoculturas de larga escala. Em alguns casos, principalmente quanto aos dois últimos, também há risco de contaminação ocupacional.

O desperdício acompanha igualmente os diversos usos e consumos da água, desde os sistemas ineficientes de irrigação na agricultura e a não aplicação, pelas indústrias, da reutilização em seus processos produtivos, até as nossas pequenas atividades domésticas, como tomar banho, escovar os dentes e lavar o carro, pela falta de orientação e informação.

Ressalte-se, ainda, que a explosão populacional tem grande influência no desequilíbrio quantitativo e qualitativo dos recursos hídricos, pois sobrecarrega as atividades industriais e agrícolas. Mundialmente, o maior consumo de água cabe à agricultura – 67%, seguido pelo uso industrial (23%) e residencial (10%).

A água é um bem renovável, porém finito, e possui significado socioeconômico. A degradação causada pelo uso ineficiente o torna limitado e escasso, o que se verifica em muitos lugares, mesmo em regiões onde antes havia suficiência hídrica.

A seguir, alguns indicadores de consumo e sugestão de ações e hábitos que podem contribuir para o uso racional da água:

Gasto de água por tipo de consumo residencial no Brasil:

46% do consumo – chuveiro;
14% do consumo – cozinha e vaso sanitário;
12% do consumo – lavatório;
8% do consumo – máquina de lavar roupa;
6% do consumo – torneira de uso geral.

Ações que contribuem para o uso racional da água:

1. Em casa

Chuveiro: Um banho de 15 minutos exige 105 litros de água. Reduza o tempo para 10 minutos e o consumo cai para 70 litros.

Cozinha: Lavar louça com a torneira aberta acarreta um gasto de 112 litros. Uma boa maneira de economizar água é encher a cuba da pia de água, limpar os resíduos de comida dos utensílios com esponja e sabão e depois enxaguar com água limpa.

Vaso sanitário: Sozinho, o vaso sanitário pode representar 50% do gasto de água de uma residência. Verifique periodicamente se o sistema de descarga está regulado e sem vazamento.

Lavatório: Enquanto ensaboa as mãos feche a torneira, pois cada vez que você lava as mãos com a torneira aberta o tempo todo, são gastos aproximadamente 7 litros de água.

Máquina ou tanque de lavar roupa: Procure racionalizar o uso, juntando uma boa quantidade de roupa suja em cada lavagem. Além do que, a água do último enxágue das roupas pode ser reutilizada para ensaboar tapetes, tênis e cobertores. Também serve para, lavar carro, pisos e calçadas.

Torneira de uso geral: Verifique se não há vazamentos. O simples gotejamento de uma torneira consome 60 litros por dia ou 2m³ por mês.

2. Na indústria:

Invista no uso sustentável da água no processo produtivo, com a instalação de sistemas de reutilização, resfriamento e alimentação de caldeiras, além do reaproveitamento em rega de jardins e lavagem de pátios.

Discuta a questão da água com sua família, seus vizinhos, sua comunidade. Procure formar grupos de discussões na Escola, nas Associação de Moradores, nos espaços recreativos. Leve a discussão à Rádio Comunitária, à Câmara de Vereadores, ao Ministério Público, às Promotorias de Justiça.

É possível atingir grandes mudanças a partir dessas simples atitudes, que ainda que pequenas, têm importância fundamental na preservação dos recursos hídricos.

A escassez e o comprometimento da qualidade dos recursos hídricos exigem que adotemos com urgência hábitos de consumo adequados, eficientes, saudáveis. Talvez “uso consciente”, “uso racional” ou “uso inteligente” sejam expressões mais apropriadas, enquanto adjetivos que expressam melhor uma atitude humana vinculada à sua própria preservação.

Contudo, a água não é um elemento isolado na teia da vida. Nela, tudo está interligado. Precisamos, portanto, adotar novos hábitos de consumo e atitudes de interação e harmonia com o meio ambiente como um todo, considerando seus processos inter-relacionais, interdependes e sistêmicos.

Ao Poder Público cabe instituir políticas que possibilitem o perceber dessa interligação de elementos e favoreçam a gestão ambiental. E neste sentido, a Educação Ambiental surge como importante instrumento.

*Edgard José Laborde Gomes – Consultor Ambiental e Assessor Diretoria ABIEPSPós – Graduado em Direito Ambiental
edgard@labordeambiental.com.br

*Martim Assueros Gomes – Sociólogo – Pós-Graduado em Educação Ambiental
assuerosmartim@yahoo.com.br

Fonte: Envolverde/O autor

© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

março 25, 2010   1 comentário

Como fazer um mundo melhor?

Para fazer um mundo melhor, primeiro você precisa fazer a sua parte! Mas como começar?

Comece pensando em quais aspectos você acha que o mundo precisa melhorar:
- Mais segurança?
- Menos violência?
- Mais saúde?
- Educação de melhor qualidade?
- Menos problemas ambientais?

Depois que você tiver definido estes aspectos, pare e pense: como posso melhorar isso?

A primeira vista, vai parecer que nada disso é responsabilidade sua, que tudo é função do governo. Que é tudo culpa da prefeitura, ou dos políticos, da corrupção. Mas você está errado.

Um exemplo de como você está errado: você não tem lixeira na frente de casa, então deixa seu lixo na calçada, e por preguiça de ter que colocar o lixo para fora a noite, coloca ele a tarde, horas antes do caminhão passar. Chove, a água carrega o seu lixo, que entope o bueiro, a água não escoa, e dá enchente na sua rua. E então, a culpa é só da prefeitura? Ou é você que não fez sua parte?

Você pode ajudar com suas ações diárias a fazer um mundo melhor, exemplos:

- Como ajudar a melhorar a saúde? Garanta que na sua casa não tem recipientes com água parada, que podem facilitar a reprodução do mosquito da dengue. Não queime seu lixo, emitindo poluentes. Ligue sua casa na rede de esgoto, se passar rede na sua rua.

- Como ajudar a melhorar a educação? Leia mais, e incentive seus filhos a lerem. Informe-se. Assista programas interessantes na TV, como globo ecologia, globo rural.

- Como diminuir os problemas ambientais? Recicle, gere menos lixo. Mantenha o motor do seu carro regulado, principalmente se for a diesel.

Tudo o que você faz, gera um impacto! Nós colhemos o que plantamos, se queremos um mundo melhor, precisamos ser pessoas melhores.

Pessoas melhores fazem sempre o que está a seu alcance. Pessoas melhores não pensam só em si, mas pensam no coletivo. Pessoas melhores não ficam paradas, deixando tudo para os outros, elas fazem o que podem.

Pense nisso!!

março 10, 2010   Sem comentários

Sobre vetores e saúde pública: as baratas

As baratas, cujo nome vem do latim blatta, que significa inseto que evita a luz, são importantes do ponto de vista sanitário, pois se adaptam a domicílios, hospitais e restaurantes, veiculando e disseminando microrganismos.

As baratas são quase inofensivas para o homem e têm destacado papel ecológico ao incorporar nutrientes no meio ambiente. Quando consomem matéria orgânica, seus dejetos servem como fonte de alimentação para organismos microscópicos que o transformam em húmus ou terra vegetal. Ou seja, as baratas contribuem para a ciclagem de nutrientes, manutenção da estrutura e fertilidade do solo, tratamento de resíduos, controle das populações de organismos e também são uma fonte direta de alimento para inúmeras espécies animais.

Estes insetos, entretanto, são muito importantes para a saúde pública, pois são agentes transmissores de doenças devido a microrganismos patogênicos que se aderem a superfície dos mesmos ou ingeridos, tais como as bactérias causadoras da furunculose, lepra, tuberculose, poliomielite e a diarréia. Estudos recentes identificaram a possível relação entre a exposição a baratas e as reações alérgicas, onde as alergias podem ser causadas pelas baratas ou serem agravadas pelas mesmas, sensibilidade detectada principalmente nas crianças.

As baratas domésticas são responsáveis pela transmissão de várias doenças, principalmente gastrointestinais, carregando vários agentes patogênicos através de seu corpo, patas e fezes, pelos locais por onde passam, por isso, são consideradas vetores mecânicos. Podem ainda transmitir doenças do trato respiratório e outras de contágio direto, pelo mesmo processo.

Além de atuar como vetores mecânicos (vírus, fungos, bactérias e protozoários) e biológicos (ser hospedeiro intermediário de vermes), as baratas podem causar reações alérgicas (contato com as fezes e exúvias). Sobre o aspecto econômico elas podem estragar alimentos (deixam odor repugnante), e roer/sujar roupas e livros. As baratas podem ser também uma praga agrícola de relativa importância (roer raízes e atacar produtos armazenados).

Métodos de Controle

Os métodos de controle ambiental das baratas baseiam-se inicialmente em medidas preventivas. As baratas, como as demais pragas urbanas, invadem as residências na busca por alimento, água e abrigo. A prevenção tem a finalidade de evitar ou dificultar o acesso a esses três fatores, para que as baratas se alimentem das iscas. Assim, o manejo preventivo do ambiente consiste em uma série de medidas preventivas, interferindo nas condições de abrigo e alimento das baratas. Dependendo da situação, somente estas medidas são suficientes para manter o local ausente de baratas.

Medidas para prevenção:

1. Feche sempre muito bem o lixo. Coloque diariamente em sacos plásticos muito bem fechados e lave pelo menos de quinze em quinze dias a lixeira. Deixe-a sempre fechada e seca.

2. Conserve os alimentos bem fechados em vasilhas com tampas ou na geladeira. Conservar armários e despensas fechados, sem resíduos de alimentos. Olhar cuidadosamente qualquer material antes de guardá-los (caixas, pacotes, etc).

3. Limpe quinzenalmente as caixas de gordura e esgoto. Deixe-as sempre bem fechadas.

4. Limpe semanalmente os ralos de cozinha, banheiro e área de serviço. Colocar tampas em ralos não sifonados.

5. Use silicone para vedar todos os tipos de frestas e fendas. As frestas de armários e portas internas e externas, principalmente aquelas perto da pia, devem ser vedadas com borracha. Manter bem calafetados as junções de revestimentos de paredes e pisos.

6. Mantenha sempre a pia limpa e seca, principalmente à noite, e limpe diariamente o fogão e embaixo da geladeira.

7. Não guarde alimentos em caixas de papelão ou de madeira, pois neste tipo de material elas gostam de depositar ovos.

8. Verifique sempre as possíveis entradas de baratas para a casa como: condutos elétricos, vizinhança infestada, canos de águas pluviais, interruptores de luz e telefone. Colocar telas, grelhas, ralos do tipo “abre-fecha”, sacos de areia ou outros artifícios que impeçam a entrada desses insetos através de ralos e encanamentos.

9. Ficar atento com os tetos rebaixados.

10. Remover e destruir ootecas (Ovos de baratas).

11. Excluir a prática de fazer pequenos lanches na mesa de trabalho, protegendo os teclados dos computadores das migalhas de pão, biscoitos, etc…

12. Praticar limpezas úmidas, tantas vezes por dia quanto necessário para manter desengordurados os móveis. Limpar cuidadosamente e regularmente os locais onde possam acumular poeira ou restos alimentares: fornos, armários, despensas, sob pias, etc.

março 9, 2010   Sem comentários

Impacto mínimo do Ecoturismo

Vídeo sobre como promover mínimo impacto ambiental na visitação turística:

Video Impacto Mínimo do Ecoturismo

A entrevistada é Luiza Coelho, diretora de sustentabilidade dos passeios Rio da Prata e Estância Mimosa, em Bonito, MS.

março 1, 2010   Sem comentários

Frase de efeito sobre a natureza

“No final, nossa sociedade será definida, não pelo que criamos, mas pelo que nos recusamos a destruir”

John C. Sawhill, Presidente da The Nature Conservancy (1990-2000)

Creio que não há mais o que adicionar. E para emocionar mais ainda, assistam ao vídeo: Um olhar sobre a natureza brasileira.

fevereiro 28, 2010   2 comentários

Lixo eletrônico: novo problema ambiental

Já não basta o desmatamento, a poluição do ar, da água e do solo, a disposição inadequada dos resíduos sólidos domésticos e industriais, surge agora um novo problema ambiental: o lixo eletrônico.

Afinal, quais os problemas ambientais acarretados pelo lixo eletrônico? Leia no texto abaixo.

Lixo eletrônico: uma montanha de problemas

Por Stephen Leahy, da IPS

As montanhas de perigoso lixo eletrônico crescem cerca de 40 milhões de toneladas ao ano. No Brasil, China, Índia e África do Sul, o crescimento desses resíduos ficará entre 200% e 500% na próxima década, afirma um novo estudo. Esse aumento inclui apenas os restos de televisores, computadores e telefones celulares de uso interno, e não as toneladas de lixo eletrônico exportadas para esses países, a maioria de forma ilegal. As vendas de produtos eletrônicos no varejo explodiram nas economias emergentes, mas não há capacidade para recolher os restos, reciclar conteúdos tóxicos e convertê-los em materiais valiosos, afirma o estudo “Recycling – from E-waste to Resources” (Reciclando – de Lixo Eletrônico a Recursos), divulgado segunda-feira em Bali, na Indonésia.

A publicação coincide com uma reunião do Convênio da Basiléia sobre Controle de Movimentos Transfronteiriços dos Dejetos Perigosos e sua Eliminação, que começou segunda-feira. Os restos de telefones celulares serão, em 2020, sete vezes superiores aos de 2007 na China, e 18 vezes maior na Índia. A China já produz 2,3 milhões de toneladas, atrás dos Estados Unidos, com cerca de três milhões de toneladas. E apesar de proibir a importação deste lixo, a China continua sendo o principal destino destes resíduos procedentes dos países ricos.

“Este informe mostra a urgente necessidade de estabelecer processos obrigatórios, formais e ambiciosos para recolher e disponibilizar este lixo em instalações amplas e eficientes na China”, disse em Bali o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner. “Não é só a China que enfrenta este desafio. Brasil, Índia, México e outras nações também vivem riscos ambientais e sanitários se a reciclagem destes resíduos tóxicos ficar em mãos do setor informal”, acrescentou.

Não se trata da necessidade de desmontar manualmente os aparelhos eletrônicos, que de fato é uma tarefa essencial em muitos casos, diz Ruediger Kuehr, da Universidade das Nações Unidas e secretário-executivo da iniciativa Solving the E-waste Problem (StEP – Resolvendo o Problema do Lixo Eletrônico), um consórcio de organizações não governamentais, indústrias e governos. Mas o desmonte manual deve ser feito de maneira apropriada, em condições ambientais corretas, disse Kueher à IPS de seu escritório em Hamburgo (Alemanha). “A reciclagem eletrônica é muito complicada. Um telefone pode ter entre 40 e 60 elementos diferentes”, ressaltou.

O ouro é um desses elementos valiosos, e a reciclagem informal, praticada na China e na Índia, consegue extrair apenas 20% desse metal. No total, há centenas de milhões de dólares nos celulares que nunca são recuperados, disse Kuehr. As somas aumentam rapidamente para milhares de milhões de dólares de valiosos metais não recuperados quando são considerados os componentes das baterias.

Explorar e refinar novos metais, prata, ouro, paládio, cobre e outros, tem grande impacto ambiental, como uma grande quantidade de gases-estufa lançados na atmosfera, diz o informe. E alguns materiais estão se tornando escassos e, por isso, mais caros. O desenvolvimento de um sistema nacional sólido de reciclagem é complexo, e somente na base de financiamento e transferência de tecnologia do mundo rico não funcionará, segundo o documento. A falta de uma ampla rede de coleta destes resíduos, somada à competição do setor informal de baixo custo, impede o desenvolvimento de modernas unidades para esta atividade.

O informe, realizado em coautoria pela suíça Empa, Umicore e Universidade das Nações Unidas, todos membros do StEP, propõe facilitar a exportação de porções de produtos, como baterias ou paineis de circuitos de países pequenos para as nações da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), processadoras finais certificadas. As unidades de recuperação de materiais na Europa e América do Norte, que podem extrair quase todos os metais valiosos, são muito caras e precisam processar uma grande quantidade de lixo eletrônico para serem rentáveis.

Aí está a oportunidade de dar a volta na cadeia de fornecimento, com as nações em desenvolvimento desmontando seus produtos eletrônicos e enviando os materiais para a reciclagem final e recuperação no mundo rico, segundo Kuehr. “Recuperar elementos raros e valiosos, como o irídio, representa um difícil processo técnico. O mundo em desenvolvimento nunca terá recursos suficientes para construir suas próprias fábricas. É necessária uma solução global”, afirmou. Porém, há muitos impedimentos para semelhante solução, inclusive o fato de alguns setores, de vários países, estarem fazendo muito dinheiro graças à atual ineficiência, acrescentou Kuehr.

A classificação adequada do material (um computador que não funciona deve ser descartado ou pode se consertado facilmente e continuar em uso?) e um acordo internacional para estabelecer permissões são outros grandes obstáculos. Também existe a desconfiança sobre as declarações dos recicladores, a falta de certificação e de certeza de que os países que desmontam os produtos serão beneficiados ao enviá-los às nações da OCDE para sua recuperação final.

“Precisamos de um sistema global, mas não temos uma solução final sobre como chegar a isso”. Definitivamente, a sociedade mundial precisa avançar para a desmaterialização, onde o reuso domine completamente a reciclagem, que é intensiva em energia e recursos, mesmo quando não seja contaminante, segundo Kuher. As pessoas que compram computadores ou telefones celulares querem, na realidade, serviços de informática e comunicações, não produtos físicos. O caminho para o futuro é que as empresas tenham os produtos que ofereçam esses serviços e os atualizem uma e outra vez, fechando o círculo. “Isto tem mais sentido em muitos aspectos”, concluiu Kuehr.

Fonte: IPS/Envolverde

© Copyleft- É livre a reprodução exclusivamentepara fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

fevereiro 24, 2010   1 comentário

Consumo Consciente: a nova onda pós-sociedade de consumo

Extrato da reportagem “Corrida para Onde?” de Eduardo Shor publicada na edição de fevereiro de 2010 da revista Página 22:

“Homens e mulheres poderiam ter feito outra opção. No lugar da sociedade de consumo, a sociedade da abundância, na qual se preserva e economiza mais do que se destrói e se gasta. Mas isso não ocorreu. Trabalhamos cada vez mais, porque é fundamental ter cada vez mais. Por comprarmos itens além do necessário, precisamos aumentar a produção sempre. Quando as pessoas entram na lógica do consumo, elas perdem a figura do  ”ser humano integral“, aquele que decide o que quer sem se atrelar ao último modelo de carro, à grife mais famosa, aos apelos do marketing e da propaganda.”

Podemos concluir então que a bola da vez é o consumo consciente! Saber o quê e porquê se compra, reconectar com a família, com os valores familiares, com a natureza, e não se deixar levar pelo consumismo desenfreado, que não aumenta a felicidade de ninguém, ao contrário, dívidas só trazem tristeza e desilusão.

fevereiro 21, 2010   1 comentário

Sustentabilidade e o tempo

Lendo a Revista Página 22 de Fevereiro de 2010, me deparei com as seguintes frase escritas por Carolina Derivi:

“A busca da sustentabilidade é uma luta contra o tempo, considerando a urgência dos problemas ambientais.”

“O tempo da sustentabilidade é o da oportunidade, a brecha que se abre para rever e aprimorar modelos de desenvolvimento.”

Vale a pena pensar sobre o assunto!

fevereiro 21, 2010   Sem comentários

Culpas no lixo

Artigo escrito pela Profa. Dra. Sônia Corina Hess (UFMS)

Ela passou perto de mim carregando 4 sacos com latinhas de alumínio.

Era manhã de terça feira de carnaval, e seus pouco mais de um metro e meio de altura estavam quase que ocultos, sob os pesados sacos.

Me envergonhei, também, pela quantidade de garrafas plásticas e outros resíduos que vi pelas ruas. Sou humana, e o que os meus semelhantes fazem, repercute em mim. Certamente, pouca gente se importa com o destino dado aos resíduos gerados em suas atividades diárias.

Tenho uma vida confortável, carro, alimentos, moradia, todos os bens de que necessito para atender a minhas necessidades. O problema é que sei que, cada vez que me alimento, provavelmente, estou consumindo o produto de uma cadeia que começou no campo, onde trabalhadores pouco remunerados estiveram expostos a venenos e a precárias condições de vida.

Quando descarto embalagens, sei que a maioria vai ser transportada a algum aterro ou lixão, e me pergunto por que tem que ser assim.

Grande parte dos plásticos, cuja produção começa em poços de petróleo, passando por refinarias, indústrias petroquímicas, indústrias de transformação, produção de embalagens, indústrias de alimentos e outros produtos, distribuição e comercialização, têm como destino final quase certo o lixo, depois de terem sido úteis aos consumidores, efetivamente, por poucos minutos. Portanto, muita energia e materiais têm sido despendidos para produzir-se itens úteis por muito pouco tempo. Na melhor das hipóteses, alguns itens são reciclados, mas seu ciclo termina nos aterros.

O vidro, cuja produção começa com areia, em indústrias consumidoras de muita energia, praticamente não tem mercado para a reciclagem, sabendo-se que vão ser, mesmo, descartados nas ruas ou aterros.

Os metais ferrosos, que saem das jazidas e passam por indústrias siderúrgicas, consomem carvão vegetal ou mineral em seu processamento. No Brasil, grande parte do carvão utilizado em siderurgia provém de florestas nativas, incluindo a Amazônia, a Caatinga, o Cerrado e o Pantanal. Isto não é levado em consideração pelos consumidores, quando compram geladeiras, carros ou outros bens de consumo.

Os materiais orgânicos (provenientes de jardinagem, culinária, feiras, etc) podem ser transformados em adubo, mas geralmente são encaminhados a aterros ou lixões, constituindo mais de 60% dos resíduos das cidades brasileiras. Se convertêssemos os resíduos orgânicos em adubo e biogás (energia), também evitaríamos muitos danos causados pela produção, transporte e uso de adubos químicos, insumos importados pelo Brasil em grande quantidade.

Se muita gente se sentisse responsável pelo resultado de seu modo de vida, sobre seus semelhantes e o ambiente, teríamos uma revolução jamais vista nesta civilização. Cada item a ser adquirido passaria pelo crivo da consciência, verificando-se como foi produzido, no que resultou sua produção, e como se dará seu destino final.

É possível mudar, enxergar, lutar. É preciso ver-se a dor associada a cada bem de consumo, para que as escolhas mudem. Sem consciência não há mudança. Já houve muita gente, na história da humanidade, que cometeu terríveis erros, por não querer vê-los claramente. Temos que sair desta nova era da obscuridade e assumirmos nossas culpas. Não adianta fingirmos que não as temos, porque os miseráveis que vivem do lixo que produzimos estão por aí, na rua, na nossa frente!!!! As enchentes, os esgotões a céu aberto também mostram, claramente, a natureza infame do comportamento dos brasileiros que se pensam civilizados, neste início do século 21.

fevereiro 17, 2010   1 comentário

Hidrelétrica de Belo Monte: Impactos Ambientais

O texto abaixo discute os possíveis impactos ambientais da construção da Hidrelétrica de Belo Monte (terceira maior hidrelétrica do mundo) no Pará.

Vale a pena ler e se inteirar da questão sobre todos os seus aspectos, que são muito bem esclarecidos pelos autores. A informação de qualidade é essencial para a tomada de decisões seguras.

Será que o Brasil precisa de Belo Monte?

CI-Brasil (Ong Conservation International – Brazil) divulga posicionamento sobre hidrelétrica; a ONG trabalha com índios Kayapó há mais de 18 anos.

Contexto: O projeto ressurge como uma obra estratégica, apresentada por meio de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de mais de 20 mil páginas, como a possível terceira maior hidrelétrica do mundo, perdendo apenas para a usina Três Gargantas (China) e para Itaipu (Brasil-Paraguai).
A hidrelétrica de Belo Monte propõe o barramento do rio Xingu com a construção de dois canais que desviarão o leito original do rio, com escavações da ordem de grandeza comparáveis ao canal do Panamá (200 milhões m3) e área de alagamento de 516 km2, o equivalente a um terço da cidade de São Paulo.

Questão energética: A UHE de Belo Monte vai operar muito aquém dos 11.223 MW aclamados pelos dados oficiais, devendo gerar em média apenas 4.428 MW, devido ao longo período de estiagem do rio Xingu, segundo Francisco Hernandes, engenheiro elétrico e um dos coordenadores do Painel dos Especialistas, que examina a viabilidade da usina.   Em adição, devido à ineficiência energética, Belo Monte não pode estar dissociada da ideia de futuros barramentos no Xingu. Belo Monte produzirá energia a quase 5.000 km distantes dos centros consumidores, com consideráveis perdas decorrentes na transmissão da energia.

Esse modelo ultrapassado de gestão e distribuição de energia a longas distâncias indica que o governo federal deveria planejar sua matriz energética de forma mais diversificada, melhor distribuindo os impactos e as oportunidades socioeconômicas (ex.: pequenas usinas hidrelétricas, energia de biomassa, eólica e solar) ao invés de sempre optar por grandes obras hidrelétricas que afetam profundamente determinados territórios ambientais e culturais, sendo que as populações locais, além de não incluídas nos projetos de desenvolvimento que se seguem, perdem as referências de sobrevivência.

Questão ambiental: A região pleiteada pela obra apresenta incrível biodiversidade de fauna e flora. No caso dos animais, o EIA aponta para 174 espécies de peixes, 387 espécies de répteis, 440 espécies de aves e 259 espécies de mamíferos, algumas espécies endêmicas (aquelas que só ocorrem na região), e outras ameaçadas de extinção. O grupo de ictiólogos do Painel dos Especialistas tem alertado para o caráter irreversível dos impactos sobre a fauna aquática (peixes e quelônios) no trecho de vazão reduzida (TVR) do rio Xingu, que afeta mais de 100 km de rio, demonstrando a inviabilidade do empreendimento do ponto de vista ambiental. Segundo os pesquisadores, a bacia do Xingu apresenta significante riqueza de biodiversidade de peixes, com cerca de quatro vezes o total de espécies encontradas em toda a Europa. Essa biodiversidade é devida inclusive às barreiras geográficas das corredeiras e pedrais da Volta Grande do Xingu, no município de Altamira (PA), que isolam em duas regiões o ambiente aquático da bacia. O sistema de eclusa poderia romper esse isolamento, causando a perda irreversível de centenas de espécies.

Outro ponto conflituoso é que o EIA apresenta modelagens do processo de desmatamento passado, não projetando cenários futuros, com e sem barramento, inclusive desconsiderando os fluxos migratórios, que estão previstos nos componentes econômicos do projeto, como sendo da ordem de cerca de cem mil pessoas, entre empregos diretos e indiretos.

Questão cultural e impactos da obra sobre as populações indígenas: O projeto tem desconsiderado o fato de o rio Xingu (PA) ser o ‘mais indígena’ dos rios brasileiros, com uma população de 13 mil índios e 24 grupos étnicos vivendo ao longo de sua bacia. O barramento do Xingu representa a condenação dos seus povos e das culturas milenares que lá sempre residiram.

O projeto, aprovado para licitação, embora afirme que as principais obras ficarão fora dos limites das Terras Indígenas, desconsidera e/ou subestima os reais impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais do empreendimento. Além disso, é esperado que a obra intensifique o desmatamento e incite a ocupação desordenada do território, incentivada pela chegada de migrantes em toda a bacia e que, de alguma forma, trarão impactos sobre as populações indígenas.

Como já exposto, o Trecho de Vazão Reduzida afetará mais de 100 km de rio e isso acarretará em drástica redução da oferta de água.  Os impactos causados na Volta Grande do Xingu, que banha diversas comunidades ribeirinhas e duas Terras Indígenas – Juruna do Paquiçamba e Arara da Volta Grande, ambas no Pará -, serão diretamente afetadas pela obra, além de grupos Juruna, Arara, Xypaia, Kuruaya e Kayapó, que tradicionalmente habitam as margens desse trecho de rio. Duas Terras Indígenas, Parakanã e Arara, não foram sequer demarcadas pela Funai. A presença de índios isolados na região, povos ainda não contatados, foram timidamente mencionados no parecer técnico da Funai, como um apêndice.

A noção de afetação pelas usinas hidrelétricas considera apenas áreas inundadas como “diretamente afetadas” e, por conseguinte, passíveis de compensação.   Todas as principais obras ficarão no limite das Terras Indígenas que, embora sejam consideradas como “indiretamente afetadas”, ficarão igualmente sujeitas aos impactos físicos, sociais e culturais devido à proximidade do canteiro de obras, afluxo populacional, dentre outros. O EIA desconsidera ou subestima os riscos de insegurança alimentar (escassez de pescado), insegurança hídrica (diminuição da qualidade da água com prováveis problemas para o deslocamento de barcos e canoas), saúde pública (aumento na incidência de diversas epidemias, como malária, leishmaniose e outras) e a intensificação do desmatamento, com a chegada de novos migrantes, que afetarão toda a bacia.

Polêmicas: O processo de licenciamento da UHE Belo Monte tem sido cercado por polêmicas, incluindo ausência de estudos adequados para avaliar a viabilidade ambiental da obra, seu elevado custo, a incerteza dos reais impactos sobre a biodiversidade e as populações locais, a ociosidade da usina durante o período de estiagem do Xingu, e a falta de informação e de participação efetiva das populações afetadas nas audiências públicas.

No final de dezembro de 2009, os técnicos do Ibama emitiram parecer contrário à construção da usina (Parecer 114/09, não publicado no site oficial), onde afirmam que o EIA não conseguiu ser conclusivo sobre os impactos da obra: “o estudo sobre o hidrograma de consenso não apresenta informações que concluam acerca da manutenção da biodiversidade, a navegabilidade que garante a segurança alimentar e hídrica das populações do trecho de vazão reduzida (TVR) e os impactos decorrentes dos fluxos migratórios populacionais, que não foram dimensionados a contento”. A incerteza sobre o nível de estresse causado pela alternância de vazões não permite inferir com segurança sobre a manutenção dos estoques de pescado e das populações humanas que desses dependem, a médio e longo prazos. Ainda segundo o parecer técnico, para “a vazão de cheia de 4.000m3/s, a reprodução de alguns grupos de peixes é apresentada no estudo como inviável”, ou seja, o grau de incerteza denota um prognóstico extremamente frágil.

No início deste ano (01/02/10), o governo federal anunciou a liberação da licença prévia para a construção da UHE Belo Monte sob 40 condicionantes, nem todas esclarecidas. A licença foi liberada num tempo recorde e o leilão, que deveria acontecer em abril, foi adiantado para o início de março deste ano. Como a única voz dissonante, o ministro do Meio Ambiente enfatizou a concessão de R$1,5 bilhão como medidas mitigatórias ao projeto, um valor relativamente pequeno em relação ao custo estimado da obra (R$30 bilhões) e incerto para os impactos que ainda se desconhece.
Vale lembrar que uma bacia e seus povos repletos de história e diversidade social, ambiental e cultural nunca terão preço capaz de compensar tamanha riqueza.

Fonte: Resumido de Envolverde/SOS Mata Atlântica
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fevereiro 14, 2010   11 comentários