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Turismo sustentável e conduta consciente em ambientes naturais – Regras de visitação

A conduta consciente em ambientes naturais é muito importante para garantir a preservação dos ambientes naturais visitados pelo homem, como os parques e reservas naturais.

Assim, a conduta consciente em ambientes naturais é um dos componentes principais do turismo sustentável, e é muito importante seguir as regras de visitação para diminuir os impactos ambientais quando visitando ambientes naturais.

Regras de visitação em ambientes naturais:

- Antes de começar sua visita nas trilhas dos parques, entre em contato com uma agência de turismo ou o ICMBIO local (orgão gestor de parques) para verificar se existem regulamentos e normas para a visitação.

- Informe-se sobre as condições climáticas do local e consulte a previsão do tempo antes de qualquer atividade em ambientes naturais.

- Viaje em grupos pequenos, de até 6 pessoas, grupos menores se harmonizam melhor com a natureza e causam menos impacto.

- Evite viajar para áreas populares durante feriados e férias.

- Certifique-se de que você possui uma forma adequada de acondicionar seu lixo para trazê-lo de volta.

- Observe os animais a distância, não se aproxime, mantenha respeito. Não dê alimentos aos animais, eles já possuem seus hábitos e alimentação natural.

- Diminua a quantidade de lixo, deixando em casa embalagens desnecessárias. Traga TODO o seu lixo de volta, jamais queime ou enterre qualquer tipo de lixo.

- Para ir ao banheiro, leve uma Fossa Seca Ambulante (informe-se sobre sua disponibilidade com os gestores do parque, condutores e agências da região). Caso não tenha, cave um buraco com 15 cm de profundidade, a pelo menos 60 metros de qualquer fonte de água, trilhas ou locais de acampamento, e em locais onde não seja necessário remover a vegetação.

- Para lavar louça, não use sabão, e não lave as coisas em áreas de nascente, afaste-se pelo menos 60 metros das nascentes para lavar utensílios.

- Escolha as atividades que você vai realizar na sua visita conforme o seu condicionamento físico e seu nível de experiência.

- Não faça fogueiras, elas prejudicam o solo e representam grande risco de incêndios flroestais.

- Para cozinhar, utilize um fogareiro próprio de acampamento. É muito mais fácil e rápido que uma fogueira. Para iluminar utilize um lampião ou lanterna do que a fogueira.

- Ande e acampe em silêncio, preservando a tranquilidade e a sensação de harmonia que a natureza oferece.

- Deixe aparelhos sonoros e instrumentos musicais em casa.

- Trate os moradores da região com gentileza, cortesia e respeito. Mantenha porteiras fechadas do jeito que encontrou, e não entre em casas e galpões sem pedir permissão.

- Contratar passeios, hospedagem, transporte e serviços de pessoas locais colabora para o desenvolvimento social e conômico da comunidade.

- Deixe seu animal doméstico em casa.

- Para chamar a atenção de uma equipe de socorro, tenha em sua mochila um plástico ou tecido de cor forte em caso de emergência. Mas use roupas e equipamentos de cores neutras, para evitar a poluição visual e o afugentamento dos bichos.

- Não construa estruturas como bancos, mesas e pontes. Não quebre ou corte galhos de árvores, mesmo mortas ou tombadas.

- Não cate pedras, galhos, flores e conchas para levar como lembranças. Leve apenas suas memórias e fotografias.

- Mantenha-se na trilha, jamais saía dela.

- Não corte, nem arranque a vegetação ou remova pedras em locais para acampar. Acampe em locais pré-estabelecidos.

- Leve sempre itens essenciais como: lanterna, agasalho, capa de chuva, chapéu, estojo de primeiros socorros, alimentos e água, mapa e bússola, mesmo nas atividades mais fáceis.

outubro 9, 2011   No Comments

“The Story of Stuff”

O Projeto “The Story of Stuff” foi criado por Annie Leonard com o objetivo de ampliar a discussão sobre diversos aspectos ambientais, sociais e econômicos. Segue uma série de vídeos produzidos pelo projeto:







Você pode saber mais e assistir outros vídeos no site do projeto: http://www.storyofstuff.com/

outubro 9, 2010   No Comments

Saneamento Básico na Amazônia

Ter Saneamento Básico é um direito de qualquer cidadão, e mesmo em regiões que não apresentam problemas com a escassez, é necessário garantir que a água oferecida seja tratada e tenha boa qualidade. No Amazonas algumas famílias, apesar de morarem ao lado dos rios, abastecem-se com água da chuva.

Na Amazônia sobra água e falta saneamento
Por Mario Osava, da IPS

Altamira, Brasil, 16/8/2010 – Parece um contrassenso adotar na úmida Amazônia uma solução desenvolvida para as secas do Nordeste brasileiro. Mas as águas pluviais, captadas no teto e armazenadas em cisternas, estão melhorando a saúde e a vida em comunidades rurais da região. O governo do Estado do Amazonas promove, desde 2006, o Programa de Melhorias Sanitárias e Armazenagem de Água da Chuva (Pró-Chuva), que já beneficiou dez mil famílias em 77 comunidades, com telhados, cisternas e sistema de esgoto.

Sua segunda fase, iniciada em maio, se estenderá a outros povoados e distribuirá equipamentos de saneamento. Na Amazônia há excesso de água, que, em geral, não é potável e muitas vezes está contaminada pelo dejeto dos próprios moradores, espalhando diarreia, hepatite e outras doenças. E nem sempre a água é de fácil acesso. Aos 69 anos, hipertenso e diabético, com 14 filhos espalhados pela Amazônia, Osvaldo Pantoja Ferreira já quase não tem forças para carregar a lata com 20 litros de água do rio até sua casa, onde vive com a mulher.

São cerca de cem metros de subida íngreme e escorregadia. “No verão fica mais difícil”, por que o rio se afasta, disse. Caracol, como todos o chamam, precisou apelar para a criatividade. Há quatro anos instalou seu próprio sistema de recolher água da chuva, com canos à beira do telhado que a leva a um depósito de mil litros em um canto da casa e a outro menor, do outro lado. Mas continua carregando água do rio, por achar que é mais potável.

Onde vive, no Estado do Pará, a leste do Estado do Amazonas, não há nenhum plano como o Pró-Chuva, que se inspirou no Programa Um Milhão de Cisternas que existe no semiárido nordestino desde 2003, graças a uma rede de 700 organizações sociais. Com uma forte participação comunitária, esse programa já instalou quase 300 mil unidades. Antes, Caracol tentou a tecnologia industrial, mas as duas bombas que comprou não aguentaram o esforço. “O motor era muito fraco, perdi dinheiro”, lamentou. Depois, seu gerador de eletricidade quebrou, inutilizando também seu televisor, “que com antena parabólica pegava bem”.

A Volta Grande do Rio Xingu, o trecho em curva de cem quilômetros em cuja margem construiu sua casa de madeira, terá a maior parte de suas águas desviada para alimentar a hidrelétrica de Belo Monte, que enfrenta a insistente resistência de indígenas, movimentos sociais e ambientalistas. A conclusão do projeto, prevista para 2015, deixará Volta Grande em um eterno verão. Na Amazônia, as águas determinam os ciclos de vida e do ano. O inverno, de dezembro a abril, é quando mais chove, quase todos os dias. No verão, o Rio Xingu baixa muito e deixa descobertas suas praias, cascatas e milhares de ilhotas de pedras.

Antes que o rio se afaste definitivamente, Caracol, exímio caçador que acertava o olho de jaguares e ariranhas (nutria gigante) para garantir bom preço pelas peles intactas, espera ser ligado ao sistema elétrico nacional e recuperar seu televisor, a geladeira e a possibilidade de bombear água do Xingu. “A luz fica a 15 quilômetros e deve chegar nos próximos meses”, disse Caracol, diante da expansão do programa Luz Para Todos, com que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva levou eletricidade a 2,5 milhões de famílias rurais.

Com geradores próprios, os indígenas dos grupos Arara e Juruna, também ribeirinhos da Volta Grande, bombeiam água para suas aldeias do Xingu, um dos principais e mais longos afluentes da vertente meridional da bacia amazônica. Entretanto, temem que a construção da represa e dos canais para desvio parcial do rio suje suas águas.

“Não sabemos como ficará a qualidade da água que consumimos”, disse Arlete Juruna, filha do líder da reserva indígena Paquiçamba, onde vivem 92 pessoas. Ela também teme redução dos peixes, principal alimento dos indígenas, junto com o tracajá, espécie de quelônio abundante na bacia. “Aqui não tem lençol freático, apenas poucas rochas, não se encontra água nem com perfurações de 200 metros”, disse José Carlos Arara, que lidera o grupo Arara da Volta Grande, de 150 membros, e se opõe decididamente à hidrelétrica.

Monitorar a qualidade da água será indispensável, porque cimento e produtos químicos usados na construção poderão contaminar os peixes, matá-los ou provocar intoxicações em seus consumidores, acrescentou José Carlos. Muitas espécies de peixes se alimentam no lodo onde se depositam os sedimentos, explicou. Impacto oposto sofrerá a população mais pobre de Altamira, capital da bacia do Xingu, com cerca de cem mil habitantes. Uma represa do complexo hidrelétrico fará subir as águas até a cidade, que fica 40 quilômetros acima, inundando bairros ribeirinhos de três igarapés que desembocam no rio.

Cristiana Rodrigues de Matos, de 29 anos, sabe que a água cobrirá a casa onde vive, na margem do Igarapé Altamira, que já esteve com metade submersa em abril de 2009, quando chuvas intensas romperam os diques construídos por fazendeiros ao longo do riacho, desalojando 30 mil pessoas. Vivia em uma rua mais acima e mudou-se há quatro meses, conhecendo os riscos. É que, devido à inundação do ano passado, baixaram os alugueis das casas ameaçadas, disse Cristiana, que trabalha como faxineira diarista e tem três filhos, incluindo um bebê de um ano, e seu marido é pedreiro.

O estudo de impacto ambiental de Belo Monte estabeleceu que 4.747 casas e imóveis comerciais serão inundados e 16.420 pessoas desalojadas nesses bairros de Altamira, que carecem de saneamento e que, na maioria, lançam o esgoto nos rios e consomem águas de poços superficiais e fáceis de serem contaminados. Os desalojados, cuja quantidade será o dobro das previsões, segundo os opositores ao projeto, receberão indenizações e serão reassentados em bairros altos, com saneamento e casas saudáveis, asseguraram autoridades responsáveis pela hidrelétrica.

“Em Tucuruí, as promessas não foram cumpridas”, recordou Vanusa Soares, referindo-se à hidrelétrica construída na década de 80 também no Pará. Ela elevou sua casa sobre palafitas de quase um metro, tentando evitar outra inundação como a do ano passado. Mas sua rua toda, bem como o bairro de casas de madeira, não sobreviverá à cheia das águas represadas. Envolverde/IPS

Fonte: (IPS/Envolverde)

agosto 17, 2010   No Comments

Floresta preservada tem limites de resistência a seca

Artigo publicado na Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos demonstra que até as florestas preservadas são afetadas pelos períodos de seca.

Manaus - Um artigo publicado nesta segunda-feira na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (PNAS) comprova que as florestas preservadas são mais resistentes à seca do que áreas já degradadas, mas demonstra também que existem limites para esta resistência. O estudo oferece uma explicação sobre as divergências entre resultados de campo e dados obtidos por sensoreamento remoto sobre a absorção de carbono na Floresta Amazônia em períodos de estiagem.

Cientistas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), da Universidade da Flórida (UF) e do Woods Hole Research Center (EUA) combinaram dados de sensoreamento remoto, com análises de campo e registros meteorológicos. Eles utilizaram um novo índice de vegetação (EVI), obtido por satélites, que demonstrou ser mais coerente com o análises de campo, feitas na Floresta Nacional do Tapajós.

Fonte: O Eco

Leia a reportagem completa aqui, ou veja o artigo (em inglês) aqui.

agosto 10, 2010   No Comments

Perda de biodiversidade não foi reduzida conforme era esperado

A perda de biodiversidade é um dos problemas ambientais recorrentes no Brasil, atinge os ecossistemas de maneira muito forte, impedindo o correto funcionamento de seus ciclos naturais, e, além da retirada de diversas espécies, afeta diversas outras de maneira negativa, alterando o equilíbrio natural.

Aumenta a perda de biodiversidade no planeta

Por Soledad Ghione
Os governos não conseguiram cumprir sua promessa de chegar a 2010 com uma redução significativa da perda de diversidade biológica. Isso é o que acaba de reconhecer o Centro de Monitoramento para a Conservação Mundial, ligado às Nações Unidas. A notícia não causou nenhum escândalo. Pelo contrário, passou desapercebida. Os resultados são conclusivos em demonstrar que a biodiversidade declinou nas últimas quatro décadas. Essa diminuição pode ser observada em distintos grupos animais, como mamíferos ou aves, e na extensão de bosques, manguezais e arrecifes de corais.

A medida que a atenção se concentra cada vez mais nos temas ambientais globais, como a mudança climática, esquecem-se problemas locais como a alarmante perda de biodiversidade. Os governos não conseguiram cumprir sua promessa de chegar a 2010 com uma redução significativa da perda de diversidade biológica. Isso é o que acaba de reconhecer o Centro de Monitoramento para a Conservação Mundial, ligado às Nações Unidas. A notícia não causou nenhum escândalo. Pelo contrário, passou desapercebida.

Os países signatários do Convênio sobre a Diversidade Biológica acordaram em 2002 que deveriam obter uma significativa redução no ritmo da perda de biodiversidade para 2010, Ano Internacional da Diversidade Biológica. A recente avaliação dessa meta, encabeçada por Stuart H. M, Butchart, do Centro de Monitoramento para a Conservação Mundial do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), baseou-se em uma série de indicadores, tais como a apropriação de recursos naturais, o número de espécies ameaçadas, a cobertura de áreas protegidas, a extensão de bosques tropicais e manguezais e o estado dos arrecifes de coral. O período avaliado foi amplo: de 1970 a 2006.

Os resultados são conclusivos em demonstrar que a biodiversidade declinou nas últimas quatro décadas. Essa diminuição pode ser observada em distintos grupos animais, como mamíferos ou aves. Reduziu-se também a extensão dos bosques e manguezais e se deterioraram as condições marinhas, por exemplo, nas zonas com arrecifes de coral. As tendências agregadas dos indicadores de estado também pioraram. Em nenhum caso, se identificaram reduções dos ritmos de perdas.

A informação parcial disponível também aponta que os ambientes naturais estão se subdividindo e se fragmentando, com o que sua qualidade de reservatório de fauna e flora se deteriora. Um exemplo disso é o caso da Mata Atlântica brasileira que, no passado, foi o segundo bosque mais extenso da América do Sul e do qual se conservam aproximadamente 10%, numa área fragmentada em parcelas diminutas (80% dos remanescentes têm uma extensão inferior a 0,5 quilômetro quadrado).

O estudo mostra também o agravamento de outros processos, como um maior consumo dos bens que os ecossistemas produzem ou a invasão de espécies exóticas que substituem as nativas. Em nenhum caso se identificaram reduções nas pressões sobre os ecossistemas.

Essa avaliação não desconhece alguns avanços e tendências positivas, como o aumento na cobertura das áreas protegidas, a inclusão sob proteção de novas áreas chave para a biodiversidade ou o aumento da superfície de bosques manejados de forma sustentável (1,6 milhões de quilômetros quadrados). No entanto, o balanço final indica que, em escala global, é altamente improvável que se cumpram os objetivos de conservação fixados para 2010. Os esforços realizados para conservar a biodiversidade têm sido claramente inadequados, com uma defasagem importante entre as crescentes pressões humanas e uma série de respostas lentas e insuficientes.

Estes resultados são consistentes com a avaliação preliminar da situação ambiental sulamericana, divulgada recentemente pelo Centro Latinoamericano de Ecologia Social (CLAES), onde se alerta que o resultado final entre as pressões e os usos da natureza e as medidas de conservação é um contínuo aumento da deterioração ecológica.

Essa grave situação está passando desapercebida enquanto a discussão latinoamericana sobre temas ambientais está cada vez mais absorvida pelos temas da mudança climática global. É necessário alertar sobre estas tendências e redobrar os esforços para que os governos e as sociedades promovam medidas mais efetivas de conservação, incluindo realmente essa dimensão nas estratégias de desenvolvimento, e garantindo o financiamento e respaldo necessários para cumprir com os compromissos assumidos anos atrás.

*Soledad Ghione é pesquiadora do CLAES (Centro Latino Americano Ecología Social) – http://www.ecologiayconservacion.com


Tradução: Katarina Peixoto

(Envolverde/Carta Maior)

agosto 6, 2010   No Comments

A escassez de água potável

Uma de nossas necessidades mais básicas, a água potável, já é escassa em muitos países, e até mesmo o Brasil, com suas grandes reservas pode ter problemas futuros.

Está cada vez mais difícil achar água potável

Por Vinod Thomas e Ronald S. Parker*

A tarefa de fornecer água de boa qualidade onde ela é necessária está se tornando cada vez mais difícil em todo o mundo. Nas últimas décadas, os países têm feito investimentos em infraestrutura para aliviar a escassez, mas até agora, na maioria dos casos, a resposta a essa questão deixou de considerar o problema suscitado pela deterioração que os recursos hídricos vêm sofrendo. Para enfrentar de forma efetiva o problema da crescente crise da água será preciso vincular o seu uso à atenção ao meio ambiente.

Em muitos lugares, mesmo onde a água ainda é abundante, a destruição ambiental tornou caro demais o seu uso. Em outros que desfrutam um bom suprimento de água, ela é usada de maneira imprópria. As prioridades podem ficar de tal modo viciadas que, embora as cidades continuem desesperadas à procura de água, agricultores estão irrigando árvores frutíferas ou plantações de algodão no deserto. Ainda menos aceitável é que a água potável esteja sendo usada para manter jardins e campos de golfe, enquanto os pobres urbanos são forçados a pagar caro por ela, a qual compram em baldes.

Por causa disso, cerca de 700 milhões de pessoas em mais de 40 países são afetadas pela escassez. A intromissão humana nos ambientes hídricos é também um problema crescente. Até 2030 a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que 75% da população mundial estará vivendo em áreas costeiras, pondo em risco as terras úmidas que ajudam a limpar o ambiente aquático, além de expor centenas de milhões de pessoas aos riscos relacionados com a água associados às mudanças climáticas.

O Banco Mundial é o maior financiador oficial de investimentos em água nos países em desenvolvimento. Os compromissos de empréstimo na última década somaram por volta de US$ 55 bilhões, com a China e a Índia no topo da lista de mutuários, seguidas pelo Brasil e pela Indonésia. Os projetos hídricos, cobrindo da irrigação e da hidroenergia à gestão de mananciais e vias aquáticas interiores, mostraram nos últimos anos maior sucesso do que outros setores na realização de seus objetivos.

Perdura, no entanto, o desafio de atender às atuais necessidades de água e implantar, ao mesmo tempo, estratégias inovadoras para tomar em conta as futuras necessidades. As áreas de ênfase caem em cinco campos principais ao longo do eixo do desenvolvimento aquático e da gestão ambiental.

Primeiro, o grupo que mais sofre a escassez de água consiste de 45 países, dos quais 35 são da África, que tem pouca. É necessário que a sustentabilidade hídrica se torne central nos seus planos de desenvolvimento, com medidas dimensionadas para atender às suas necessidades urgentes. Mesmo países ricos em água, como o Brasil ou a Tailândia, podem vir a enfrentar deficiência, ao caírem os níveis em represas e de fontes naturais.

Segundo, os lençóis aquáticos subterrâneos estão cada vez mais ameaçados por exploração excessiva, fluxos ambientais inadequados e contaminação. O esgotamento mais grave de águas subterrâneas ocorre no Oriente Médio, no norte da África e no sul da Ásia. Os esforços necessários abrangem monitoramento da qualidade da água, melhoramento dos aterros sanitários e redução da infiltração de águas superficiais contaminadas nos lençóis freáticos.

Terceiro, a restauração de ambientes degradados pode ter grandes impactos. Um projeto de proteção de terras úmidas costeiras no Vietnã, por exemplo, ajudou a reduzir a área de erosão costeira em nada menos que 40%.

Quarto, as Nações Unidas estimam que 1,8 bilhão de pessoas ainda não terá acesso ao saneamento básico em 2015. Será preciso colocar mais ênfase não somente em soluções de baixo custo no saneamento básico, mas também em ligações domiciliares aos sistemas sanitários. Entre os países em desenvolvimento, registrou-se o maior progresso na Ásia oriental.

Quinto, os investimentos em abastecimento de água precisam ser combinados com a gestão da demanda. A agricultura é a maior usuária na maioria das situações, nas quais tecnologias que melhoram a eficiência não são suficientes para melhorar o uso da água. Uma recuperação de custos maior em projetos hídricos seria útil. Estabelecer cotas e forçar o seu uso no consumo de água, um enfoque relativamente recente, merece cuidadosa avaliação.

Mesmo quando são reconhecidas, tem sido difícil converter tais prioridades em ação. Quando os atores-chave se sentam à mesa para negociar a distribuição de água, o meio ambiente fica esquecido. Raramente existe apoio à recuperação de um aquífero em declínio se ainda se pode extrair água dele, à restauração de faixas úmidas protetoras ou à manutenção de um fluxo suficiente num rio, para que a fauna silvestre possa sobreviver e a intrusão salina, ser prevenida.

O apoio político à reforma é muitas vezes dificultado por graves lacunas na compreensão da situação hídrica de um país. Melhores dados, monitoramento sistemático e divulgação dos achados são essenciais para a mobilização de recursos e a ação. O compartilhamento de conhecimentos apoia, assim, os desembolsos financeiros e possibilita melhores resultados no terreno.

Uma maneira de abrir uma janela de oportunidade seria apoiar processos de monitoração que mandam informações relevantes aos interessados públicos e privados. O exemplo do Brasil mostra que, tornando dados de água disponíveis para o público na internet, isso ajuda a aumentar a preocupação dos interessados, o que também ajuda a mobilizar a vontade política necessária para confrontar problemas de águas arraigados.

*Respectivamente, diretor-geral e consultor no grupo independente de avaliação do banco mundial (Washington D.C.)

** Artigo pblicado originalmente no jornal O Estado de São Paulo
(Envolverde/O autor)

julho 19, 2010   5 Comments

Projeto de Reforma do Código Florestal preocupa ambientalistas

A reforma do código florestal preocupa pela redução das áreas protegidas por lei, e também pela possibilidade de anistiar áreas que foram desmatadas ilegalmente.

Reforma do Código Florestal antecipa mais catástrofes para o Brasil

Por Fabiana Frayssinet, da IPS

Rio de Janeiro, 25/6/2010 – Enquanto as autoridades contam os mortos e o prejuízo econômico pelas chuvas no Nordeste, um projeto em discussão no Congresso Nacional para modificar o Código Florestal pode potencializar os eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes. A proposta, cuja votação em uma comissão especial da Câmara está prevista para o dia 28, foi apresentada pelo deputado Aldo Rebelo do Partido Comunista do Brasil.

Diante do avanço dessa iniciativa, 13 organizações ambientais manifestam sua preocupação em uma carta aberta dirigida aos candidatos à presidência. “É um retrocesso histórico” em relação ao código de 1965 ainda em vigor, alertou em entrevista à IPS Rafael Cruz, da organização ambientalista Greenpeace. Os ativistas alertam sobre os possíveis prejuízos de declarar a anistia, como propõe a iniciativa, para o desmatamento ilegal em mais de 40 milhões de hectares de savanas e florestas da Amazônia, verificado após 1996.

Uma anistia que, alertam, corresponde a 14,6 bilhões de toneladas de CO² emitidas ilegalmente. Rebelo argumenta que é preciso reformar o Código Florestal porque prejudica a agricultura e com isso a provisão de alimentos para os mais necessitados. O projeto de reforma também propõe que cada Estado possa, a seu critério, reduzir até 50% os limites definidos pela legislação federal nas áreas de preservação permanente (APP) que correspondem às florestas protetoras de cursos de água em margens de rios, lagos e mananciais.

Outra modificação considerada “grave” pelos críticos é a dispensa de exigência de reserva legal para imóveis de até quatro módulos fiscais (até, aproximadamente, 150 hectares) em todo o país. “Isso pode significar, somente na floresta amazônica, a eliminação da reserva legal de até 70 milhões de hectares”, diz a carta. Com base na suposição de que metade dessas áreas já esteja desmatada, “ainda assim o projeto retira a proteção legal de pelo menos 35 milhões de hectares de florestas”, acrescenta a carta.

Segundo as organizações, se a iniciativa for adiante, será permitido liberar 12,8 bilhões de toneladas de CO² armazenados na selva amazônica. Uma emissão que corresponde a três vezes a meta brasileira de redução de emissões de gases contaminantes que causam o aquecimento global por causa do desmatamento. Essa pauta foi apresentada pelo Brasil em dezembro, em Copenhague, na 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15).

A mobilização contra a proposta começou antes da chegada das fortes chuvas que causaram transbordamento de rios, inundações e desabamentos esta semana nos Estados nordestinos de Alagoas e Pernambuco. Até ontem, o saldo parcial indicava 44 mortos, 600 desaparecidos e centenas de milhares de pessoas afetadas de diversas formas. Cruz afirmou que as modificações propostas “abrem brechas para o desmatamento do princípio ao fim”.

Tragédias como as do Nordeste “são um exemplo do que pode ocorrer com o aumento do desmatamento, e, no caso do Brasil, com as florestas tropicais como um todo”, destaca o ambientalista. Cruz também recordou que no país o desmatamento responde por 75% das emissões de gases-estufa, que provocam o aquecimento global. Com o que qualifica de “código de desmatamento” a tendência seria aumento “desses eventos climáticos extremos”, como chuvas torrenciais fora de época e em quantidade acima da média habitual, acrescentou.

Um cálculo do Greenpeace, que Cruz considera “conservador”, alerta que, no caso de serem aprovadas as mudanças, serão desmatados 85 milhões de hectares. A opinião é compartilhada por Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, superintendente de conservação do Fundo Mundial para a Natureza (WWF-Brasil). O especialista em ecologia chama a atenção para o agravamento de desastres naturais do tipo desmoronamento de terra e mais chuvas, como ocorreu em Santa Catarina em anos recentes. No caso de a iniciativa de reforma do Código Florestal prosperar, antecipa-se “eventos climáticos extremos com mais frequência e força”, disse.

Márcia Hirota, do SOS Mata Atlântica, destacou à IPS que precisamente as áreas mais afetadas de Pernambuco e de Alagoas ficam em área de Mata Atlântica, cujo bioma ocupa 1,3 milhão de quilômetros quadrados, equivalente a quase 15% do território brasileiro, englobando 17 Estados.

Dados da SOS Mata Atlântica e do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que originalmente esse ecossistema chegava a ocupar 18% do Estado de Pernambuco, enquanto hoje está em apenas 13%. Da mesma forma, 53% do Estado de Alagoas estava coberto por essa floresta tropical úmida, e agora está presente em 10%. Hirota, que acaba de regressar do Nordeste, disse que as populações mais afetadas pelas chuvas estão exatamente nas margens de rios totalmente desmatados, embora o Código Florestal em vigor estabeleça a distância de 30 metros de proteção.

Isso contribuiu para o transbordamento de rios e represas, com bairros inteiros desaparecendo sob as águas. Hirota descreveu cenas trágicas que presenciou. Muita gente desaparecida, famílias que perderam casa e tudo o mais, contou. Por isso, considera que a proposta de Aldo Rabelo “vai totalmente na contramão da realidade que vivemos e vai piorar ainda mais a situação”. Recorda outras catástrofes com as que atingiram este ano Rio de Janeiro e Niterói, onde as populações mais afetadas foram as que ocupavam irregularmente áreas de encostas e desmatadas.

“É importante estar alerta porque não podemos perder mais vidas”, disse Hirota, ao explicar que em situações como estas fica confirmado que a legislação ambiental não é “para proteger árvores e bichinhos, mas também para garantir a segurança e o direito à vida das pessoas”. A ativista considera que, nessas circunstâncias, não basta que o governo retire as pessoas das áreas de risco mas que as leve a “locais seguros onde possam viver com dignidade”. Por sua vez, Scaramuzza propõe que se invista em ações como reflorestamento das áreas dos rios.

Dados do Ministério do Meio Ambiente, citados pela advogada Paula Lavratti, do Instituto Direito por um Planeta Verde (IDPV), indicam que mais de um milhão de pessoas foram afetadas por algum tipo de desastre natural entre 2000 e 2007. Os ambientalistas atribuem a ofensiva contra o Código Florestal à “bancada ruralista”, grupo de deputados que defende os interesses dos latifundiários e empresários agropecuários na Câmara. Por isso, querem adiar até depois das eleições a votação. “O temor é que negociem a floresta por votos”, manifesta Cruz, ao alertar que “já tem gente esperando para ligar a motosserra se o novo código for aprovado”.

Fonte (IPS/Envolverde)

junho 25, 2010   2 Comments

Pesquisa Você e o Meio Ambiente

Em pesquisa realizada entre os dias 26 de novembro e 01 de dezembro, em 2009, através de convites por e-mail pelo site Problemas Ambientais obteve resultados interessantes sobre o comportamento e as opiniões do público alvo perante algumas questões ambientais.

O público alvo foram pessoas com nível superior, ou pós graduação, com formação relacionada com a área ambiental. A idade média foi de 20 a 30 anos, com divisão igual entre sexos.

Em sua maioria, os entrevistados demonstram grande preocupação com as mudanças climáticas, e procuram conscientizar as pessoas sobre a importância de cuidar do meio ambiente.

Apesar disso, analisando as atividades ambientalmente corretas adotadas pelos entrevistados, nota-se que as mais corriqueiras são aquelas que demandam pouco esforço, e quase nenhum gasto extra (na maioria das vezes, economizando), como demonstrado no gráfico abaixo:

Atitudes que envolvem grandes custos iniciais não são adotadas pela maioria, como usar aquecedor solar. Assim como atitudes que envolvem significativo aumento no orçamento, como comprar produtos de origem local. Hábitos de conveniência, como a facilidade do transporte por automotores, retirar carregadores da tomada quando não estão em uso, ou recusar sacolas plásticas, apresentam equilíbrio entre quem faz ou não. Talvez pela época de transição de hábitos mais impactantes para hábitos mais responsáveis ambientalmente.

Uma das ferramentas mais eficientes para incentivar os hábitos ecológicos é através das campanhas em diversas mídias, como jornais, revistas e etc. Alguns comportamentos, como recusar produtos embalados no isopor, não são atitudes incentivadas nestas campanhas, e, talvez por isso seja baixa a porcentagem de pessoas a adotar essa atitude.

A maioria dos entrevistados, cerca de 74%, aceitaria pagar mais por um produto ecologicamente sustentável, mas os comentários indicam que o valor pago a mais não poderia ser abusivo, menos de 10% do valor do produto.

Quanto a neutralização de carbono, a maioria aceitaria pagar para neutralizar suas emissões, mas um valor baixo, menos de R$ 100,00 por ano.

Conclusão

As pessoas estão preocupadas com as mudanças climáticas, e tem consciência dos impactos que causam ao meio ambiente. Por isso, aos poucos passam a adotar algumas atitudes pró-ativas com relação ao tema. Nota-se que as ações bombardeadas pela mídia são mais adotadas, e que apesar da preocupação e a da postura pró-ativa, o fator limitante é o custo, e o grande esforço demandado por algumas das atitudes. Por outro lado, atitudes que representem economia ou corte de custos, também são as primeiras a serem adotadas.

O público alvo da pesquisa tem em sua grande maioria formação na área ambiental, e por isso, espera-se que para a grande massa obtenham-se opiniões diferentes, e principalmente, que as atitudes ambientalmente sustentáveis sejam adotadas pela minoria apenas.

maio 14, 2010   3 Comments

Conceito de Poluição

Com o homem e sua atividade industrial, apareceu a poluição ambiental. O descobrimento do fogo e a consequente poluição do ar, assim como a salinização e o esgotamento de terras agrícolas foram as causas do primeiros impactos negativos do homem sobre o meio ambiente. Durante o Império Romano, com a construção da “Cloaca Máxima”, sistema de evacuação de esgotos de Roma, o homem fez o primeiro intento de atenuar o efeito negativo da civilização sobre o meio ambiente. Etapas posteriores de descaso ambiental caracterizaram-se por epidemias de pestes e frequentes episódios de poluição em Londres, o berço da revolução industrial, com milhares de mortes. Embora não tenha sido até meados deste século quando a carga de poluentes ultrapassou a capacidade natural de “tratamento” da natureza e começaram a se agravar os problemas ambientais, passando de locais e regionais, a problemas de caráter global.

Vamos definir, primeiramente, o conceito de poluição:

Poluição ambiental: É a degradação do ambiente, ou seja, mudanças nas características físico-químicas ou biológicas do ar, água ou solo, que afetam negativamente a saúde, a sobrevivência ou as atividades humanas e de outros organismos vivos.

A Lei n° 6.938, de 31/07/81, que trata da Política Nacional de Meio Ambiente, define a poluição como sendo “A degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população, criem condições adversas às atividades sócio-econômicas, afetem desfavoravelmente a biota, afetem condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente e lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos”.

Tipos de poluição (em função do tipo de poluente):

  • Poluição física;
  • Poluição química;
  • Poluição físico-química;
  • Poluição bioquímica;
  • Poluição radiativa.

É indiscutível que a aplicação da ciência e da tecnologia tem conduzido à melhora no nível de vida da população, pelo menos para uma parte da população do planeta, o que caracteriza-se por:

  • Acréscimo da quantidade e qualidade da produção de alimentos.
  • Desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação.
  • Desenvolvimento da construção de moradias.
  • Mecanização e automação dos processos produtivos (aumento da produtividade e redução do tempo de trabalho).
  • Desenvolvimento de sistemas para o fornecimento de água potável e para o tratamento de efluentes líquidos.
  • Eliminação de muitas doenças contagiosas e desenvolvimento de tratamentos efetivos para outras.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, tem provocado efeitos nocivos sobre o meio ambiente:

  • Mudanças climáticas.
  • Perda de terras cultiváveis (desertificação).
  • Desmatamento
  • Poluição de rios, lagos e mares.
  • Poluição do solo e das águas subterrâneas.
  • O smog fotoquímico e a poluição do ar nas cidades.

Assim, aparece como um problema vital, conciliar o desenvolvimento e as vantagens de um modo de vida aceitável, com a conservação do meio ambiente.

janeiro 18, 2010   12 Comments

Analfabetismo Científico e os Problemas Ambientais

… As conseqüências do analfabetismo científico são muito mais perigosas em nossa época do que em qualquer outro período anterior. É perigoso e temerário que o cidadão médio continue a ignorar o aquecimento global, por exemplo, ou a diminuição da camada de ozônio, a poluição do ar, o lixo tóxico e radioativo, a chuva ácida, a erosão da camada superior do solo, o desflorestamento tropical, o crescimento exponencial da população…

Carl Sagan, “O mundo assombrado pelos demônios”, Companhia das Letras, 1997

Conhecer o que acontece em nosso planeta faz parte da solução dos problemas ambientais que nos afligem. O aquecimento global, a poluição marinha, a disposição incorreta dos resíduos sólidos nos solos e o consumismo desenfreado causam impactos, e são agravados por eles mesmos, num círculo vicioso, e completamente distante do conceito de desenvolvimento sustentável.

Ignorar o que acontece (o tal do analfabetismo científico citado por Sagan) pode parecer a solução mais fácil, pois dispensa-nos das resposabilidades pelo que fizemos e fazemos na nossa casa, no nosso planeta TERRA. Mas não é a solução correta, como a consciência de cada um diz.

O correto é erguer a cabeça, aceitar nossos deveres, e lutar para resolver  os problemas ainda passíveis de solução. Mesmo em pequenos gestos, com pequenas mudanças na nossa rotina, podemos fazer algo para mudar nosso futuro comum.

janeiro 15, 2010   No Comments