Enchentes no Rio de Janeiro: razões!

O artigo abaixo explica as micro e macro razões das enchentes no estado do Rio de Janeiro. Um artigo brilhante, que mostra que os problemas ambientais custam muito caro para serem resolvidos, e em geral se acumulam com o tempo.

Micro e macro razões da tragédia no Rio de Janeiro

Por Fabiana Frayssinet, da IPS

Rio de Janeiro, 12/04/2010 – Os habitantes da favela de Gurarapes, no Rio de Janeiro, não sabem que o temporal que os fez fugir de suas casas tem uma origem global: o aquecimento do planeta. Mas em seu pequeno mundo deste bairro pobre e de casas precárias em um dos morros da cidade, identificam claramente a origem local da tragédia: o desvio artificial de um manancial que progressivamente causou a erosão da encosta onde viviam. Desde seu meio acadêmico, o oceanógrafo David Zee tem claras as duas razões. E as viveu na própria carne.

Pode explicá-lo com palavras de especialista, embora prefira usar outras mais comuns ao se referir ao isolamento forçado, de quase três dias, em seu apartamento na Barra da Tijuca, bairro que ficou inundado pelo temporal que começou a atingir a cidade no dia 5. O que antes era considerado extraordinário, começa a ser ordinário” disse à IPS este professor de Oceanografia Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estas catástrofes provocadas por uma inclemência de chuvas, que as autoridades estatais consideram a pior em quatro décadas, “vieram para ficar”, acrescentou.

Zee, que também coordena o curso de Mestrado em Meio Ambiente da Faculdade Veiga de Almeida, atribui a intensidade do temporal a um fenômeno vinculado a “mudanças climáticas globais, que têm efeitos locais”. Refere-se, entre outros, a uma atividade maior desde o final de 2009 do fenômeno climático El Niño/Oscilação do Sul, que se caracteriza por um aquecimento anormal na superfície tropical do Oceano Pacífico. “No Rio de Janeiro sofremos um fenômeno climático que tem uma causa global. A energia adicional de mais temperatura do mar se transforma em uma evaporação maior da água”, o que, por sua vez, produz mais chuvas, explicou.

Este fator global se agrava por outros de origem local, como a configuração geográfica da cidade do Rio de Janeiro, construída “entre a pedra dos morros e o mar”. O Rio de Janeiro “é como o marisco, espremido entre o mar e uma faixa costeira estreita”, disse Zee. “Como dizemos, quem sofre é o marisco”, acrescentou. Para piorar as coisas, existe a deterioração ambiental causada pela expansão demográfica da cidade. O concreto domina a cobertura florestal, que antes retinha a água nos morros e agora a deixa passar. E em nada ajuda a eterna deficiência dos sistemas de drenagem e o acúmulo de lixo nas encostas dos morros.

Quando entra uma frente fria na região, choca-se com essa grande “muralha” costeira e, não tendo como “escorrer”, fica estacionada sobre a região. Na Barra da Tijuca, bairro de classe média e alta, a inundação não aconteceu por acaso, mas em razão de um explosivo desenvolvimento imobiliário que não respeitou nem margens de rios nem de lagoas.

Longe dali, em Guararapes, um grupo de mulheres não precisa de conhecimentos especializados para explicar aos gritos suas próprias causas “locais” da tragédia. Seu desespero é compreensível. Após uma vida de sacrifícios, construindo tijolo por tijolo sua casa, de ali criar os filhos e enterrar seus país, agora têm de abandonar tudo porque o risco de desmoronamento aumenta. Asseguram que tudo começou quando foi desviado um manancial que era sua fonte natural de água para um projeto privado no alto do morro.

Desde então, uma infiltração foi drenando progressivamente o terreno, disse à IPS Jurema de Moraes. “Tivemos que abandonar nossas casas porque tudo vinha pra cima da gente. Não temos luz, não temos água, o perigo é grande e nem sabemos onde iremos viver”, reforçou Elizabethe da Silva, outra dos 500 moradores de Guararapes. O desvio do manancial, que antes fluía claro e abundante e satisfazia a sede de toda a comunidade, provocou uma catástrofe adicional.

O volume incomum das chuvas, que em um dia superou o previsto para todo o mês, derrubou a caixa de água comunitária, que caiu sobre uma casa e matou as três pequenas filhas de uma mulher que conseguiu sobreviver. “Já morreram três meninas, dormimos à intempérie, mas negam tudo porque este é um lugar turístico”, disse Elizabethe numa referência ao fato de pelo morro passar o bondinho que leva ao Cristo Redentor. “A natureza não pode ser culpada porque sabe o que faz”, disse, por sua vez, Waldemar Santana. “Mas o homem sim”, acrescentou.

Muito longe de Guararapes, em Niterói, outra tragédia também teve sua mistura de causas locais e globais. Ocorreu no Morro do Bumba, com a destruição completa de um bairro erguido sobre um antigo aterro sanitário e que, inclusive, recebeu melhorias de sucessivos governos. Com o vendaval, as casas rolaram encosta abaixo, em uma enxurrada de cimento, tijolos e corpos de seus moradores, que sepultou as casas construídas mais abaixo. As equipes de resgate se afundam nos restos emergidos do velho lixão, que fez aflorar restos de sacos plásticos e resíduos em meio a um cheiro nauseabundo. O secretário da Saúde do Estado do Rio de Janeiro, Sergio Cortés, reconheceu irritado que este era o lugar menos apropriado para um assentamento.

Em 2007, a Universidade Federal Fluminense (UFF) antecipou que em Niterói existiam 143 áreas propícias a deslizamentos. “Considerando a quantidade de assentamentos irregulares que temos em nossa cidade, a única solução é trasladar as famílias que estão em áreas de risco e promover a urbanização e regularização da propriedade da terra das demais”, disse à IPS Regina Beienestein, especialista em Urbanismo da UFF. A Universidade aponta, entre outras causas do desastre atual, o desmatamento dos morros, onde, em geral, pessoas pobres constroem suas casas. É uma contribuição brasileira ao aquecimento global e teve um efeito espiral sobre a própria tragédia.

Fonte: IPS/Envolverde

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Copos plásticos: problema ambiental!

Arte e texto por Fabio Pellegrini

Diga não aos copos plásticos

Traga sua caneca e contribua com um mundo mais limpo.

Além do desperdício, os copos plásticos, quando utilizados com bebidas quentes, como café ou chá, levam um pouco da sua composição química para o seu corpo, e isto é um perigo, porque os produtos químicos que são ingeridos têm propriedades tóxicas, inclusive atuam como hormônios femininos, podendo desencadear a longo prazo, infertilidade masculina, diabetes, hiperatividade, câncer, entre outras doenças.

E mais: como o preço dos plásticos caiu muito no mercado da reciclagem, poucos catadores se interessam em coletá-los para comercializá-los. Então os copos plásticos acabam indo parar no lixão.

Se você não liga para sua saúde, pense nas gerações futuras: cada copo plástico utilizado demora cerca de 100 anos para se decompor na natureza.

Livre-se dos plásticos se quiser continuar vivo!

Consciência ambiental: você pode! você deve!

Lembre-se dos 3R’s: Reduzir o consumo/ Reutilizar / Reciclar

Diga não aos copos plásticos
Diga não aos copos plásticos - Por Fabio Pellegrini

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Lixo eletrônico: novo problema ambiental

Já não basta o desmatamento, a poluição do ar, da água e do solo, a disposição inadequada dos resíduos sólidos domésticos e industriais, surge agora um novo problema ambiental: o lixo eletrônico.

Afinal, quais os problemas ambientais acarretados pelo lixo eletrônico? Leia no texto abaixo.

Lixo eletrônico: uma montanha de problemas

Por Stephen Leahy, da IPS

As montanhas de perigoso lixo eletrônico crescem cerca de 40 milhões de toneladas ao ano. No Brasil, China, Índia e África do Sul, o crescimento desses resíduos ficará entre 200% e 500% na próxima década, afirma um novo estudo. Esse aumento inclui apenas os restos de televisores, computadores e telefones celulares de uso interno, e não as toneladas de lixo eletrônico exportadas para esses países, a maioria de forma ilegal. As vendas de produtos eletrônicos no varejo explodiram nas economias emergentes, mas não há capacidade para recolher os restos, reciclar conteúdos tóxicos e convertê-los em materiais valiosos, afirma o estudo “Recycling – from E-waste to Resources” (Reciclando – de Lixo Eletrônico a Recursos), divulgado segunda-feira em Bali, na Indonésia.

A publicação coincide com uma reunião do Convênio da Basiléia sobre Controle de Movimentos Transfronteiriços dos Dejetos Perigosos e sua Eliminação, que começou segunda-feira. Os restos de telefones celulares serão, em 2020, sete vezes superiores aos de 2007 na China, e 18 vezes maior na Índia. A China já produz 2,3 milhões de toneladas, atrás dos Estados Unidos, com cerca de três milhões de toneladas. E apesar de proibir a importação deste lixo, a China continua sendo o principal destino destes resíduos procedentes dos países ricos.

“Este informe mostra a urgente necessidade de estabelecer processos obrigatórios, formais e ambiciosos para recolher e disponibilizar este lixo em instalações amplas e eficientes na China”, disse em Bali o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner. “Não é só a China que enfrenta este desafio. Brasil, Índia, México e outras nações também vivem riscos ambientais e sanitários se a reciclagem destes resíduos tóxicos ficar em mãos do setor informal”, acrescentou.

Não se trata da necessidade de desmontar manualmente os aparelhos eletrônicos, que de fato é uma tarefa essencial em muitos casos, diz Ruediger Kuehr, da Universidade das Nações Unidas e secretário-executivo da iniciativa Solving the E-waste Problem (StEP – Resolvendo o Problema do Lixo Eletrônico), um consórcio de organizações não governamentais, indústrias e governos. Mas o desmonte manual deve ser feito de maneira apropriada, em condições ambientais corretas, disse Kueher à IPS de seu escritório em Hamburgo (Alemanha). “A reciclagem eletrônica é muito complicada. Um telefone pode ter entre 40 e 60 elementos diferentes”, ressaltou.

O ouro é um desses elementos valiosos, e a reciclagem informal, praticada na China e na Índia, consegue extrair apenas 20% desse metal. No total, há centenas de milhões de dólares nos celulares que nunca são recuperados, disse Kuehr. As somas aumentam rapidamente para milhares de milhões de dólares de valiosos metais não recuperados quando são considerados os componentes das baterias.

Explorar e refinar novos metais, prata, ouro, paládio, cobre e outros, tem grande impacto ambiental, como uma grande quantidade de gases-estufa lançados na atmosfera, diz o informe. E alguns materiais estão se tornando escassos e, por isso, mais caros. O desenvolvimento de um sistema nacional sólido de reciclagem é complexo, e somente na base de financiamento e transferência de tecnologia do mundo rico não funcionará, segundo o documento. A falta de uma ampla rede de coleta destes resíduos, somada à competição do setor informal de baixo custo, impede o desenvolvimento de modernas unidades para esta atividade.

O informe, realizado em coautoria pela suíça Empa, Umicore e Universidade das Nações Unidas, todos membros do StEP, propõe facilitar a exportação de porções de produtos, como baterias ou paineis de circuitos de países pequenos para as nações da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), processadoras finais certificadas. As unidades de recuperação de materiais na Europa e América do Norte, que podem extrair quase todos os metais valiosos, são muito caras e precisam processar uma grande quantidade de lixo eletrônico para serem rentáveis.

Aí está a oportunidade de dar a volta na cadeia de fornecimento, com as nações em desenvolvimento desmontando seus produtos eletrônicos e enviando os materiais para a reciclagem final e recuperação no mundo rico, segundo Kuehr. “Recuperar elementos raros e valiosos, como o irídio, representa um difícil processo técnico. O mundo em desenvolvimento nunca terá recursos suficientes para construir suas próprias fábricas. É necessária uma solução global”, afirmou. Porém, há muitos impedimentos para semelhante solução, inclusive o fato de alguns setores, de vários países, estarem fazendo muito dinheiro graças à atual ineficiência, acrescentou Kuehr.

A classificação adequada do material (um computador que não funciona deve ser descartado ou pode se consertado facilmente e continuar em uso?) e um acordo internacional para estabelecer permissões são outros grandes obstáculos. Também existe a desconfiança sobre as declarações dos recicladores, a falta de certificação e de certeza de que os países que desmontam os produtos serão beneficiados ao enviá-los às nações da OCDE para sua recuperação final.

“Precisamos de um sistema global, mas não temos uma solução final sobre como chegar a isso”. Definitivamente, a sociedade mundial precisa avançar para a desmaterialização, onde o reuso domine completamente a reciclagem, que é intensiva em energia e recursos, mesmo quando não seja contaminante, segundo Kuher. As pessoas que compram computadores ou telefones celulares querem, na realidade, serviços de informática e comunicações, não produtos físicos. O caminho para o futuro é que as empresas tenham os produtos que ofereçam esses serviços e os atualizem uma e outra vez, fechando o círculo. “Isto tem mais sentido em muitos aspectos”, concluiu Kuehr.

Fonte: IPS/Envolverde

© Copyleft- É livre a reprodução exclusivamentepara fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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Soluções para o lixo urbano

Soluções para o lixo urbano:

1 – Diminuir a geração de lixo;

2 – Aumentar a coleta seletiva, através de pontos de entrega voluntária, campanhas de conscientização, coleta porta a porta;

3 –  Incentivos fiscais para empresas que comercializarem produtos com menos embalagens, e/ou embalagens 100% recicláveis;

4 – Pontos de entrega voluntários para coleta do lixo eletrônico, lixo tóxico e lixo perigoso;

– As soluções tem que ser desenvolvidas e aplicadas de acordo com o porte do município, buscando otimização do gerenciamento.

“Gerenciar resíduos não se limita a tratar e dispor o lixo gerado. O enfrentamento do problema começa na concepção dos produtos que serão descartados mais tarde e na revisão da cultura da fartura e do desperdício. Enfrentar o problema exige a responsabilização dos diferentes atores, desde a indústria produtora de bens, até o consumidor final”. Revista Bio 10-12/2009

Ou seja, todos temos um papel nesta história, os consumidores, os produtores, o governo. E cabe a cada um de nós fazer nossa parte na construção de um mundo mais limpo!

Afinal, o lixo urbano acarreta em uma série de problemas ambientais:

– entupimento de bueiros, que geram enchentes e alagamentos;

– contaminação do solo e lençol freático devido a disposição final inadequada;

– transmissão de doenças e proliferação de vetores;

– desperdício de recursos naturais.

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Resíduos radioativos também são um problema

Os resíduos provenientes das operações nucleares são extremamente contaminantes, na maioria das vezes não podem ser tratados, exigindo que sejam dispostos na natureza. Se essa disposição final não for realizada corretamente, corre-se um risco grande de contaminar todo o ambiente ao redor. Uma padronização nesta disposição, adotada por todos os países que produzem resíduos radioativos, pode minimizar esses problemas.

Especialistas alertam para os perigos do lixo nuclear

Por Daniela Traldi, da Rádio ONU em Nova York.

Aiea diz que falta aproximação internacional mais uniforme para resolver a questão dos resíduos radioativos; norma global de segurança tem sido desenvolvida nos últimos três anos.

O lixo nuclear e os métodos de disposição de resíduos é um dos problemas mais urgentes do setor.

Segundo o chefe do escritório de Resíduos e Segurança Ambiental da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, Didier Louvat, soluções técnicas existem e são seguras mas ainda falta uma aproximação internacional mais uniforme para resolver a questão.

Resíduos

O assunto foi debatido durante conferência internacional na cidade do Cabo, na África do Sul, que reúne até sexta-feira, 18 de dezembro, especialistas em segurança nuclear e radiação de várias regiões do mundo.

O representante da Aiea fala em benefícios para uma abordagem mais homogênea em relação aos resíduos nucleares, já que dezenas de países avançam para o licenciamento de instalações de armazenamento geológico.

Um padrão internacional de medidas de segurança para o lixo radioativo tem sido desenvolvido nos últimos três anos, e sua aprovação e adoção está prevista ainda para o final de 2009.

Norma

A norma abrange a disposição de lixo nuclear perto de superfícies de qualquer tipo, incluindo as consideradas de baixo nível radioativo e para o processamento de mineração e minerais.

A medida também trata dos resíduos de nível intermediário e alto, colocados em profundidade a centenas de metros abaixo do solo. A Aiea afirma que vai preparar um guia adicional de segurança sobre o assunto.

Para ouvir esta notícia clique em: http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/real/2009/0912171i.rm ou acesse:http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/174050.html

(Envolverde/Rádio ONU)

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