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Desaparecimento de insetos polinizadores: grave problema ambiental

Problemas ambientais como a destruição dos habitats, desmatamento, uso extensivo de agrotóxicos no campo, degradação de áreas de proteção permanente e reserva legal estão causando o desaparecimento e a extinção de insetos polinizadores como as abelhas.

Especialistas já documentaram o desaparecimento em massa de abelhas em vários países. Isto é um problema sério pois
as abelhas são cruciais na nossa sociedade, na medida em que a polinização tem um papel essencial na preservação da biodiversidade e na manutenção da segurança alimentar de todo o mundo, não só pela produção de mel, mas pela polinização das culturas.

Daí a importância de áreas de conservação da biodiversidade como as Reservas Legais e Áreas de Proteção Permanente que existem no código florestal brasileiro, áreas que são feitas para garantir o equilíbrio ecológico da cadeia alimentar, do qual o homem é beneficiado através dos serviços ecossistêmicos.

Veja a reportagem abaixo para mais informações:

Europa aprova resolução para proteger abelhas

Por Bettina Barros, publicado no Jornal Valor Econômico de 18/11/2011

O Parlamento Europeu aprovou nesta semana uma resolução para a adoção de ações mais contundentes para proteger a população de abelhas, que de alguns anos para cá desapareceram em larga escala no Velho Continente. O texto, aprovado por ampla maioria de 534 votos a favor, 92 abstenções e apenas 16 votos contrários, determina que mais fundos sejam destinados para a pesquisa com abelhas, novos incentivos para que a indústria farmacêutica desenvolva antibióticos e que os rótulos de advertência nos pesticidas do campo sejam mais claros.

Além de uma questão ambiental preocupante, o declínio dessas populações tem um impacto econômico que não se pode desprezar. Cálculos da Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, estimam que a polinização tem um valor econômico de € 22 bilhões para a região.

Cerca de 84% das espécies de plantas europeias e 76% da produção de alimentos da região dependem dela. A União Europeia produz anualmente cerca de 200 mil toneladas de mel. Bulgária, França, Alemanha, Grécia, Hungria e Romênia são os maiores produtores, empregando, direta ou indiretamente, 600 mil pessoas.

As abelhas são cruciais na nossa sociedade, na medida em que a polinização tem um papel essencial na preservação da biodiversidade e na manutenção da segurança alimentar da Europa“, disse o legislador socialista Csaba Sandor Tabajdi, autor da resolução.

A falta de informações sobre a saúde dessas abelhas tem sido um obstáculo na identificação das causas do desaparecimento desses insetos. Por isso, a Comissão Europeia pretende lançar um programa-piloto de monitoramento no início do próximo ano.

Especialistas já documentaram o desaparecimento em massa de abelhas em vários países, com um cenário mais crítico nos Estados Unidos, onde o fenômeno tem sido comumente chamado de “desordem de colapso das colônias”. A causa do problema ainda não é conhecida, mas a destruição dos habitats e o uso extensivo de agrotóxicos no campo (que pode ter afetado o sistema imunológico das abelhas) são possibilidades consideradas pelos especialistas.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o número de colônias de abelhas caiu de 5,5 milhões em 1950 para 2,5 milhões em 2007. Somente na Califórnia, um dos principais berços agrícolas de pequenas culturas nos Estados Unidos, abelhas de quase 1,5 milhão de colmeias fazem o trabalho da polinização – uma média de duas colmeias por acre.

O Pnuma, braço ambiental da ONU, advertiu no início deste ano que a população mundial de abelhas continuará em declínio. Em relatório, o órgão defendeu o pagamento de incentivos a agricultores e proprietários rurais para que os habitats desses insetos sejam restaurados, como florestas com espécies de floração.

novembro 22, 2011   1 Comment

Pesquisa Você e o Meio Ambiente

Em pesquisa realizada entre os dias 26 de novembro e 01 de dezembro, em 2009, através de convites por e-mail pelo site Problemas Ambientais obteve resultados interessantes sobre o comportamento e as opiniões do público alvo perante algumas questões ambientais.

O público alvo foram pessoas com nível superior, ou pós graduação, com formação relacionada com a área ambiental. A idade média foi de 20 a 30 anos, com divisão igual entre sexos.

Em sua maioria, os entrevistados demonstram grande preocupação com as mudanças climáticas, e procuram conscientizar as pessoas sobre a importância de cuidar do meio ambiente.

Apesar disso, analisando as atividades ambientalmente corretas adotadas pelos entrevistados, nota-se que as mais corriqueiras são aquelas que demandam pouco esforço, e quase nenhum gasto extra (na maioria das vezes, economizando), como demonstrado no gráfico abaixo:

Atitudes que envolvem grandes custos iniciais não são adotadas pela maioria, como usar aquecedor solar. Assim como atitudes que envolvem significativo aumento no orçamento, como comprar produtos de origem local. Hábitos de conveniência, como a facilidade do transporte por automotores, retirar carregadores da tomada quando não estão em uso, ou recusar sacolas plásticas, apresentam equilíbrio entre quem faz ou não. Talvez pela época de transição de hábitos mais impactantes para hábitos mais responsáveis ambientalmente.

Uma das ferramentas mais eficientes para incentivar os hábitos ecológicos é através das campanhas em diversas mídias, como jornais, revistas e etc. Alguns comportamentos, como recusar produtos embalados no isopor, não são atitudes incentivadas nestas campanhas, e, talvez por isso seja baixa a porcentagem de pessoas a adotar essa atitude.

A maioria dos entrevistados, cerca de 74%, aceitaria pagar mais por um produto ecologicamente sustentável, mas os comentários indicam que o valor pago a mais não poderia ser abusivo, menos de 10% do valor do produto.

Quanto a neutralização de carbono, a maioria aceitaria pagar para neutralizar suas emissões, mas um valor baixo, menos de R$ 100,00 por ano.

Conclusão

As pessoas estão preocupadas com as mudanças climáticas, e tem consciência dos impactos que causam ao meio ambiente. Por isso, aos poucos passam a adotar algumas atitudes pró-ativas com relação ao tema. Nota-se que as ações bombardeadas pela mídia são mais adotadas, e que apesar da preocupação e a da postura pró-ativa, o fator limitante é o custo, e o grande esforço demandado por algumas das atitudes. Por outro lado, atitudes que representem economia ou corte de custos, também são as primeiras a serem adotadas.

O público alvo da pesquisa tem em sua grande maioria formação na área ambiental, e por isso, espera-se que para a grande massa obtenham-se opiniões diferentes, e principalmente, que as atitudes ambientalmente sustentáveis sejam adotadas pela minoria apenas.

maio 14, 2010   3 Comments

Radiações perigosas

Tese mostra correlação entre casos de morte por câncer e localização das antenas de telefonia celular

Por Ana Rita Araújo

Adilza Dode só usa celular em casos excepcionais: radiações estão associadas a vários tipos de neoplasia
Para evitar exposição prolongada às radiações eletromagnéticas, a engenheira Adilza Condessa Dode usa celular apenas em casos de extrema necessidade. A precaução decorre de estudos que desenvolve há cerca de uma década, com o intuito de descobrir os efeitos físicos, químicos e biológicos da radiofrequência nos seres vivos. Em tese defendida na UFMG, no final de março, Adilza Dode confirma a hipótese de que há correlação entre os casos de óbito por neoplasia e a localização de antenas de telefonia celular, em Belo Horizonte.

Por meio de geoprocessamento, a pesquisadora constata que a região Centro-Sul da capital mineira possui a maior concentração de antenas e a maior taxa de incidência acumulada de mortes por câncer. A menor taxa está na região do Barreiro, que também abriga o menor número de antenas instaladas.

A poluição causada pelas radiações eletromagnéticas é o maior problema ambiental do século 21”, afirma a engenheira, que, em sua tese, recomenda a adoção, pelo governo brasileiro, do chamado princípio da precaução, aprovado na Conferência Rio-92. Segundo tal premissa, enquanto não houver certeza científica da inexistência de riscos, o lançamento de novo produto ou tecnologia deve ser acompanhado de medidas capazes de prever e evitar possíveis danos à saúde e ao meio ambiente.

Componente da banca que avaliou a tese de Adilza Dode, o professor Álvaro Augusto Almeida de Salles, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), destacou que a pesquisa confirma resultados de estudos realizados na Alemanha e em Israel. “Com esse trabalho, Belo Horizonte coloca-se em uma importante posição na área”, comentou.

A pesquisa

Preocupada com a quase inexistência de dados sobre os efeitos de uma tecnologia que rapidamente se popularizou, Adilza Condessa Dode defendeu, em 2003, dissertação de mestrado orientada pela professora Mônica Maria Diniz Leão, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG, em que provou a existência de sobreposição de radiação em áreas onde há antenas instaladas, o que causa contaminação eletromagnética.

Para o doutorado, trabalhou com a hipótese de relação entre mortes por câncer e a proximidade residencial com antenas – estações radiobase (ERB) – de telefonia celular. Adilza Dode realizou pesquisa em bancos de dados preexistentes, cruzando informações sobre óbitos, em Belo Horizonte, de 1996 a 2006, com informações populacionais fornecidas pelo IBGE.

Entre os 22.543 casos de morte por câncer, no período de 1996 a 2006, a pesquisadora selecionou 4.924, cujos tipos – próstata, mama, pulmão, rins, fígado, por exemplo – são reconhecidos na literatura científica como relacionados à radiação eletromagnética. Para processar essas informações, ela contou com a co-orientação da professora Waleska Teixeira Caiaffa, uma das coordenadoras do Observatório de Saúde Urbana de Belo Horizonte e do Grupo de Pesquisas em Epidemiologia da Faculdade de Medicina da UFMG.

Na fase seguinte do estudo, Adilza Dode elaborou uma metodologia inédita, utilizando o geoprocessamento da cidade, para descobrir a que distância das antenas moravam as 4.924 pessoas que morreram no período. “A até 500 metros de distância das antenas, encontrei 81,37% dos casos de óbitos por neoplasias”, conta a pesquisadora, professora do Centro Universitário Izabela Hendrix e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

Ela comenta que, nos últimos anos, houve crescimento de casos de câncer de encéfalo no país, como atestam dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), e aumento no uso da telefonia celular. “Não posso afirmar que esta é a causa dos óbitos; mas qual é o fator novo nesse período? O fator ambiental que veio a público é a telefonia celular, não há outro”, analisa. Segundo ela, a literatura científica sugere a quem tem câncer e faz quimioterapia que evite exposição a campos eletromagnéticos.

Níveis seguros?

Há níveis seguros de radiação para a saúde humana? “Esse é exatamente o problema: até agora, ninguém sabe quais os limites de uso inócuos à saúde”, explica Adilza Dode, ao destacar que os padrões permitidos no Brasil são os mesmos adotados pela Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não Ionizantes (Icnirp), normatizados em legislação federal de maio de 2009. Para a pesquisadora, esses padrões são inadequados. “Eles foram redigidos com o olhar da tecnologia, da eficiência e da redução de custos, e não com base em estudos epidemiológicos”, assegura.

Segundo o professor Álvaro Augusto Almeida de Salles, da UFRGS, também não existem pesquisas epidemiológicas que demonstrem os efeitos das ondas emitidas por equipamentos de wireless, wi-fi e bluetooth, que irradiam em níveis mais baixos, mas contínuos. “Somos cobaias de tecnologias que ainda não se mostraram inócuas”, sentencia.

Adilza Dode informa que os campos eletromagnéticos interferem, também, em equipamentos biomédicos. “Por isso, é necessário desligar o celular ao entrar em hospitais, e não se deve, de forma alguma, instalar ERB em área hospitalar”, adverte, ao lembrar que mesmo as pessoas que não usam celular recebem radiação emitida, de forma contínua, pelas antenas.

Ela informa que países como Suíça, Itália, Rússia e China adotaram padrões bem mais baixos que os permitidos pela Icnirp. E no Brasil, o município de Porto Alegre editou lei que define níveis de emissões de radiações similares aos da Suíça.

Em sua tese, Adilza citou diversos estudos internacionais que procuram compreender os efeitos dos campos eletromagnéticos. Um deles, o projeto Reflex, financiado pela União Europeia, realizado em 2004 por 12 laboratórios especializados em sete países, afirma que a radiação eletromagnética emitida por telefones celulares pode afetar células humanas e causar danos ao DNA, ao alterar a função de certos genes, ativando-os ou desativando-os. Outro estudo, realizado em Naila (Alemanha), constatou a incidência três vezes maior de câncer em pessoas que viveram em um raio de até 400 metros das antenas de telefonia celular.

Em Netanya, em Israel, outro estudo mostrou o aumento de 4,15 vezes na incidência de câncer para os moradores que residiam dentro de um raio de até 350 metros das antenas de telefonia celular. Há, ainda, pesquisas que apontam riscos maiores para crianças, devido às especificidades de seu organismo. “A penetração das radiações eletromagnéticas no cérebro das crianças é muito maior que no dos adultos”, destaca Adilza Dode, que já se prepara para começar nova etapa de estudos. Seu objetivo agora é medir os níveis de exposição humana às radiações eletromagnéticas nas residências das pessoas diagnosticadas com câncer.

Recomendações

“Não somos contra a telefonia celular, mas queremos que o Brasil adote o princípio da precaução, até que novas descobertas científicas sejam reconhecidas como critério para estabelecer ou modificar padrões de exposição humana à radiação não ionizante”, diz a pesquisadora.

Em um capítulo de sua tese, ela lista uma série de recomendações. Entre elas, a de que o Brasil adote os limites já seguidos por países como a Suíça. Sugere, ainda, que o governo não permita transmissão de sinal de tecnologias sem fio para creches, escolas, casas de repouso, residências e hospitais; crie infraestrutura para medir e monitorar os campos eletromagnéticos provenientes das estações de telecomunicação e desestimule ou proíba o uso de celulares por crianças e pré-adolescentes.

Às indústrias, a tese recomenda a produção de telefones celulares com radiação no sentido oposto à cabeça do usuário, o investimento em pesquisa para descobrir limites seguros e a redução dos níveis de radiação emitidos pelas antenas. Aos usuários, Adilza sugere que não andem com celulares junto ao corpo; adotem a prática de envio de mensagens, evitando, ao máximo, sua proximidade ao ouvido; e afastem-se de outras pessoas ao recorrer ao aparelho. A autora aconselha, ainda, que cada prédio tenha área reservada para uso de celular, e que os moradores não aceitem a instalação de antenas. “Há uma crença segundo a qual o prédio onde se encontra uma antena de celular não recebe radiação. Isso foi desmentido por pesquisas recentes”, adverte a pesquisadora.

Tese: Mortalidade por neoplasias e telefonia celular em Belo Horizonte, Minas Gerais
Autora: Adilza Condessa Dode
Defesa: 26 de março de 2010,
junto ao Programa de Doutorado
em Saneamento, Meio Ambiente,
e Recursos Hídricos (Desa)
Orientadora: Mônica Maria Diniz Leão, professora do Departamento
de Engenharia Sanitária e Ambiental,
da Escola de Engenharia da UFMG
Co-orientadora: Waleska Teixeira Caiaffa, professora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade
de Medicina da UFMG
Leia mais no site
www.mreengenharia.com.br

Fonte: http://www.ufmg.br/boletim/bol1690/4.shtml

abril 26, 2010   3 Comments

Enchentes no Rio de Janeiro: razões!

O artigo abaixo explica as micro e macro razões das enchentes no estado do Rio de Janeiro. Um artigo brilhante, que mostra que os problemas ambientais custam muito caro para serem resolvidos, e em geral se acumulam com o tempo.

Micro e macro razões da tragédia no Rio de Janeiro

Por Fabiana Frayssinet, da IPS

Rio de Janeiro, 12/04/2010 – Os habitantes da favela de Gurarapes, no Rio de Janeiro, não sabem que o temporal que os fez fugir de suas casas tem uma origem global: o aquecimento do planeta. Mas em seu pequeno mundo deste bairro pobre e de casas precárias em um dos morros da cidade, identificam claramente a origem local da tragédia: o desvio artificial de um manancial que progressivamente causou a erosão da encosta onde viviam. Desde seu meio acadêmico, o oceanógrafo David Zee tem claras as duas razões. E as viveu na própria carne.

Pode explicá-lo com palavras de especialista, embora prefira usar outras mais comuns ao se referir ao isolamento forçado, de quase três dias, em seu apartamento na Barra da Tijuca, bairro que ficou inundado pelo temporal que começou a atingir a cidade no dia 5. O que antes era considerado extraordinário, começa a ser ordinário” disse à IPS este professor de Oceanografia Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estas catástrofes provocadas por uma inclemência de chuvas, que as autoridades estatais consideram a pior em quatro décadas, “vieram para ficar”, acrescentou.

Zee, que também coordena o curso de Mestrado em Meio Ambiente da Faculdade Veiga de Almeida, atribui a intensidade do temporal a um fenômeno vinculado a “mudanças climáticas globais, que têm efeitos locais”. Refere-se, entre outros, a uma atividade maior desde o final de 2009 do fenômeno climático El Niño/Oscilação do Sul, que se caracteriza por um aquecimento anormal na superfície tropical do Oceano Pacífico. “No Rio de Janeiro sofremos um fenômeno climático que tem uma causa global. A energia adicional de mais temperatura do mar se transforma em uma evaporação maior da água”, o que, por sua vez, produz mais chuvas, explicou.

Este fator global se agrava por outros de origem local, como a configuração geográfica da cidade do Rio de Janeiro, construída “entre a pedra dos morros e o mar”. O Rio de Janeiro “é como o marisco, espremido entre o mar e uma faixa costeira estreita”, disse Zee. “Como dizemos, quem sofre é o marisco”, acrescentou. Para piorar as coisas, existe a deterioração ambiental causada pela expansão demográfica da cidade. O concreto domina a cobertura florestal, que antes retinha a água nos morros e agora a deixa passar. E em nada ajuda a eterna deficiência dos sistemas de drenagem e o acúmulo de lixo nas encostas dos morros.

Quando entra uma frente fria na região, choca-se com essa grande “muralha” costeira e, não tendo como “escorrer”, fica estacionada sobre a região. Na Barra da Tijuca, bairro de classe média e alta, a inundação não aconteceu por acaso, mas em razão de um explosivo desenvolvimento imobiliário que não respeitou nem margens de rios nem de lagoas.

Longe dali, em Guararapes, um grupo de mulheres não precisa de conhecimentos especializados para explicar aos gritos suas próprias causas “locais” da tragédia. Seu desespero é compreensível. Após uma vida de sacrifícios, construindo tijolo por tijolo sua casa, de ali criar os filhos e enterrar seus país, agora têm de abandonar tudo porque o risco de desmoronamento aumenta. Asseguram que tudo começou quando foi desviado um manancial que era sua fonte natural de água para um projeto privado no alto do morro.

Desde então, uma infiltração foi drenando progressivamente o terreno, disse à IPS Jurema de Moraes. “Tivemos que abandonar nossas casas porque tudo vinha pra cima da gente. Não temos luz, não temos água, o perigo é grande e nem sabemos onde iremos viver”, reforçou Elizabethe da Silva, outra dos 500 moradores de Guararapes. O desvio do manancial, que antes fluía claro e abundante e satisfazia a sede de toda a comunidade, provocou uma catástrofe adicional.

O volume incomum das chuvas, que em um dia superou o previsto para todo o mês, derrubou a caixa de água comunitária, que caiu sobre uma casa e matou as três pequenas filhas de uma mulher que conseguiu sobreviver. “Já morreram três meninas, dormimos à intempérie, mas negam tudo porque este é um lugar turístico”, disse Elizabethe numa referência ao fato de pelo morro passar o bondinho que leva ao Cristo Redentor. “A natureza não pode ser culpada porque sabe o que faz”, disse, por sua vez, Waldemar Santana. “Mas o homem sim”, acrescentou.

Muito longe de Guararapes, em Niterói, outra tragédia também teve sua mistura de causas locais e globais. Ocorreu no Morro do Bumba, com a destruição completa de um bairro erguido sobre um antigo aterro sanitário e que, inclusive, recebeu melhorias de sucessivos governos. Com o vendaval, as casas rolaram encosta abaixo, em uma enxurrada de cimento, tijolos e corpos de seus moradores, que sepultou as casas construídas mais abaixo. As equipes de resgate se afundam nos restos emergidos do velho lixão, que fez aflorar restos de sacos plásticos e resíduos em meio a um cheiro nauseabundo. O secretário da Saúde do Estado do Rio de Janeiro, Sergio Cortés, reconheceu irritado que este era o lugar menos apropriado para um assentamento.

Em 2007, a Universidade Federal Fluminense (UFF) antecipou que em Niterói existiam 143 áreas propícias a deslizamentos. “Considerando a quantidade de assentamentos irregulares que temos em nossa cidade, a única solução é trasladar as famílias que estão em áreas de risco e promover a urbanização e regularização da propriedade da terra das demais”, disse à IPS Regina Beienestein, especialista em Urbanismo da UFF. A Universidade aponta, entre outras causas do desastre atual, o desmatamento dos morros, onde, em geral, pessoas pobres constroem suas casas. É uma contribuição brasileira ao aquecimento global e teve um efeito espiral sobre a própria tragédia.

Fonte: IPS/Envolverde

© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

abril 12, 2010   12 Comments

Como fazer um mundo melhor?

Para fazer um mundo melhor, primeiro você precisa fazer a sua parte! Mas como começar?

Comece pensando em quais aspectos você acha que o mundo precisa melhorar:
- Mais segurança?
- Menos violência?
- Mais saúde?
- Educação de melhor qualidade?
- Menos problemas ambientais?

Depois que você tiver definido estes aspectos, pare e pense: como posso melhorar isso?

A primeira vista, vai parecer que nada disso é responsabilidade sua, que tudo é função do governo. Que é tudo culpa da prefeitura, ou dos políticos, da corrupção. Mas você está errado.

Um exemplo de como você está errado: você não tem lixeira na frente de casa, então deixa seu lixo na calçada, e por preguiça de ter que colocar o lixo para fora a noite, coloca ele a tarde, horas antes do caminhão passar. Chove, a água carrega o seu lixo, que entope o bueiro, a água não escoa, e dá enchente na sua rua. E então, a culpa é só da prefeitura? Ou é você que não fez sua parte?

Você pode ajudar com suas ações diárias a fazer um mundo melhor, exemplos:

- Como ajudar a melhorar a saúde? Garanta que na sua casa não tem recipientes com água parada, que podem facilitar a reprodução do mosquito da dengue. Não queime seu lixo, emitindo poluentes. Ligue sua casa na rede de esgoto, se passar rede na sua rua.

- Como ajudar a melhorar a educação? Leia mais, e incentive seus filhos a lerem. Informe-se. Assista programas interessantes na TV, como globo ecologia, globo rural.

- Como diminuir os problemas ambientais? Recicle, gere menos lixo. Mantenha o motor do seu carro regulado, principalmente se for a diesel.

Tudo o que você faz, gera um impacto! Nós colhemos o que plantamos, se queremos um mundo melhor, precisamos ser pessoas melhores.

Pessoas melhores fazem sempre o que está a seu alcance. Pessoas melhores não pensam só em si, mas pensam no coletivo. Pessoas melhores não ficam paradas, deixando tudo para os outros, elas fazem o que podem.

Pense nisso!!

março 10, 2010   6 Comments

Lixo eletrônico: novo problema ambiental

Já não basta o desmatamento, a poluição do ar, da água e do solo, a disposição inadequada dos resíduos sólidos domésticos e industriais, surge agora um novo problema ambiental: o lixo eletrônico.

Afinal, quais os problemas ambientais acarretados pelo lixo eletrônico? Leia no texto abaixo.

Lixo eletrônico: uma montanha de problemas

Por Stephen Leahy, da IPS

As montanhas de perigoso lixo eletrônico crescem cerca de 40 milhões de toneladas ao ano. No Brasil, China, Índia e África do Sul, o crescimento desses resíduos ficará entre 200% e 500% na próxima década, afirma um novo estudo. Esse aumento inclui apenas os restos de televisores, computadores e telefones celulares de uso interno, e não as toneladas de lixo eletrônico exportadas para esses países, a maioria de forma ilegal. As vendas de produtos eletrônicos no varejo explodiram nas economias emergentes, mas não há capacidade para recolher os restos, reciclar conteúdos tóxicos e convertê-los em materiais valiosos, afirma o estudo “Recycling – from E-waste to Resources” (Reciclando – de Lixo Eletrônico a Recursos), divulgado segunda-feira em Bali, na Indonésia.

A publicação coincide com uma reunião do Convênio da Basiléia sobre Controle de Movimentos Transfronteiriços dos Dejetos Perigosos e sua Eliminação, que começou segunda-feira. Os restos de telefones celulares serão, em 2020, sete vezes superiores aos de 2007 na China, e 18 vezes maior na Índia. A China já produz 2,3 milhões de toneladas, atrás dos Estados Unidos, com cerca de três milhões de toneladas. E apesar de proibir a importação deste lixo, a China continua sendo o principal destino destes resíduos procedentes dos países ricos.

“Este informe mostra a urgente necessidade de estabelecer processos obrigatórios, formais e ambiciosos para recolher e disponibilizar este lixo em instalações amplas e eficientes na China”, disse em Bali o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner. “Não é só a China que enfrenta este desafio. Brasil, Índia, México e outras nações também vivem riscos ambientais e sanitários se a reciclagem destes resíduos tóxicos ficar em mãos do setor informal”, acrescentou.

Não se trata da necessidade de desmontar manualmente os aparelhos eletrônicos, que de fato é uma tarefa essencial em muitos casos, diz Ruediger Kuehr, da Universidade das Nações Unidas e secretário-executivo da iniciativa Solving the E-waste Problem (StEP – Resolvendo o Problema do Lixo Eletrônico), um consórcio de organizações não governamentais, indústrias e governos. Mas o desmonte manual deve ser feito de maneira apropriada, em condições ambientais corretas, disse Kueher à IPS de seu escritório em Hamburgo (Alemanha). “A reciclagem eletrônica é muito complicada. Um telefone pode ter entre 40 e 60 elementos diferentes”, ressaltou.

O ouro é um desses elementos valiosos, e a reciclagem informal, praticada na China e na Índia, consegue extrair apenas 20% desse metal. No total, há centenas de milhões de dólares nos celulares que nunca são recuperados, disse Kuehr. As somas aumentam rapidamente para milhares de milhões de dólares de valiosos metais não recuperados quando são considerados os componentes das baterias.

Explorar e refinar novos metais, prata, ouro, paládio, cobre e outros, tem grande impacto ambiental, como uma grande quantidade de gases-estufa lançados na atmosfera, diz o informe. E alguns materiais estão se tornando escassos e, por isso, mais caros. O desenvolvimento de um sistema nacional sólido de reciclagem é complexo, e somente na base de financiamento e transferência de tecnologia do mundo rico não funcionará, segundo o documento. A falta de uma ampla rede de coleta destes resíduos, somada à competição do setor informal de baixo custo, impede o desenvolvimento de modernas unidades para esta atividade.

O informe, realizado em coautoria pela suíça Empa, Umicore e Universidade das Nações Unidas, todos membros do StEP, propõe facilitar a exportação de porções de produtos, como baterias ou paineis de circuitos de países pequenos para as nações da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), processadoras finais certificadas. As unidades de recuperação de materiais na Europa e América do Norte, que podem extrair quase todos os metais valiosos, são muito caras e precisam processar uma grande quantidade de lixo eletrônico para serem rentáveis.

Aí está a oportunidade de dar a volta na cadeia de fornecimento, com as nações em desenvolvimento desmontando seus produtos eletrônicos e enviando os materiais para a reciclagem final e recuperação no mundo rico, segundo Kuehr. “Recuperar elementos raros e valiosos, como o irídio, representa um difícil processo técnico. O mundo em desenvolvimento nunca terá recursos suficientes para construir suas próprias fábricas. É necessária uma solução global”, afirmou. Porém, há muitos impedimentos para semelhante solução, inclusive o fato de alguns setores, de vários países, estarem fazendo muito dinheiro graças à atual ineficiência, acrescentou Kuehr.

A classificação adequada do material (um computador que não funciona deve ser descartado ou pode se consertado facilmente e continuar em uso?) e um acordo internacional para estabelecer permissões são outros grandes obstáculos. Também existe a desconfiança sobre as declarações dos recicladores, a falta de certificação e de certeza de que os países que desmontam os produtos serão beneficiados ao enviá-los às nações da OCDE para sua recuperação final.

“Precisamos de um sistema global, mas não temos uma solução final sobre como chegar a isso”. Definitivamente, a sociedade mundial precisa avançar para a desmaterialização, onde o reuso domine completamente a reciclagem, que é intensiva em energia e recursos, mesmo quando não seja contaminante, segundo Kuher. As pessoas que compram computadores ou telefones celulares querem, na realidade, serviços de informática e comunicações, não produtos físicos. O caminho para o futuro é que as empresas tenham os produtos que ofereçam esses serviços e os atualizem uma e outra vez, fechando o círculo. “Isto tem mais sentido em muitos aspectos”, concluiu Kuehr.

Fonte: IPS/Envolverde

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fevereiro 24, 2010   3 Comments

Sustentabilidade e o tempo

Lendo a Revista Página 22 de Fevereiro de 2010, me deparei com as seguintes frase escritas por Carolina Derivi:

“A busca da sustentabilidade é uma luta contra o tempo, considerando a urgência dos problemas ambientais.”

“O tempo da sustentabilidade é o da oportunidade, a brecha que se abre para rever e aprimorar modelos de desenvolvimento.”

Vale a pena pensar sobre o assunto!

fevereiro 21, 2010   No Comments

Depoimento de Oscar Niemeyer aos jovens: é preciso de informar!

Na manhã de quarta-feira (10/02), logo após a solenidade de posse dos novos conselheiros integrantes das quatro câmaras especializadas do CREA Regional de Mato grosso do Sul, foi inaugurada uma placa com uma mensagem que o arquiteto Oscar Niemeyer dedicou aos jovens estudantes e profissionais das áreas tecnológicas.

O depoimento foi especialmente concedido por Niemeyer durante uma visita do presidente do Crea-MS, engenheiro Jary de Carvalho e Castro a seu escritório em Copacabana, no Rio de Janeiro em outubro de 2009.

Veja a transcrição do depoimento:

“Me interesso sempre em falar com a juventude, principalmente com os que estão estudando arquitetura, que é a minha profissão. Eu recomendo aos jovens que o importante hoje é ler, ler o que for possível. Geralmente, o jovem entra para a escola superior e o assunto do País é esquecido. Ele dedica-se apenas ao que trata da sua profissão. Isso faz dele um especialista. Um médico só fala em medicina, engenheiro só fala em engenharia e o jovem fica perdido nesse mundo tão difícil, cheio de problemas, do qual ele não pode se informar.
Eu tenho uma revista de arquitetura – Nosso caminho – e nessa revista a arquitetura é um pretexto. Ela é dedicada a levar aos jovens ensinamentos sobre os problemas da vida, do mundo, aos quais ele tem que se deter. De modo o que eu gostaria de lembrar a vocês é isso: a necessidade de se informar”.

Arquiteto Oscar Niemeyer

Com informações da Assessoria de imprensa do CREA-MS

fevereiro 13, 2010   1 Comment

Municípios de Mato Grosso do Sul têm problemas ambientais

Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que em Mato Grosso do Sul 88,4% dos municípios, ou seja, 69 de 78, registraram ocorrências que causaram impactos ao meio ambiente nos últimos 24 meses.

Esta proporção fica próxima da média nacional de municípios com problemas ambientais, que é de 90%.

Segundo a pesquisa , o desmatamento está presente em 44 municípios e as queimadas, em 42 dos 78 municípios do Estado de Mato Grosso do Sul. Contudo a pesquisa também demonstra que os municípios do estado se destacam pela destinação de verbas para o setor ambiental.

O assoreamento de cursos de água é o que mais atinge os municípios. Depois do assoreamento vêm o desmatamento, as queimadas, a poluição de cursos de água e a poluição do ar.

Com informações de Campo Grande News

fevereiro 10, 2010   No Comments

Informação: o caminho para um mundo melhor!

Entrevista  com Jerome Kagan publicada na Revista Veja de 03/02/10

Veja perguntou: O nível educacional e a classe social dos pais têm muita influência sobre o futuro dos filhos?

Jerome respondeu: Tem mais influência que a genética. O melhor indicador de doença mental, de qualquer doença mental, é a classe social, e não os genes. Por hipótese, suponhamos que há um grupo de 1.000 bebês lá fora. Você e eu vamos pesquisá-los para determinar quais bebês poderão estar sofrendo de depressão aos 30 anos de idade. Você só pode examinar os genes dos bebês. Eu só posso examinar a eduação e o nível de renda dos pais dos bebês. Meu resultado será mais exato do que o seu. Os que ocupam o topo da pirâmide social, em termos de educação, trabalho e renda, têm menos doença mental, vivem sete anos a mais e seus filhos são mais saudáveis. Em resumo, são pessoas mais felizes.

O que podemos concluir desta pergunta e desta resposta:

A informação de qualidade e a educação são os caminhos para a construção de uma sociedade mais feliz, mais produtiva, e com menos problemas, o que irá levar também a menos problemas ambientais.

fevereiro 8, 2010   No Comments